Ácido salicílico

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Conheça os prós e contras do ativo mais usado nos cosméticos

Ácido salicílico

Muitas pessoas torcem o nariz ao escutar o nome dos ativos presentes em produtos que provavelmente elas usam todos os dias. Prova disso é o ácido acetilsalicílico, composto muito usado pela indústria farmacêutica na fabricação da Aspirina, que é sem dúvida alguma o analgésico mais consumido no mundo. No entanto, esse ativo não é encontrado somente nas fórmulas de remédios para antipirético ou contra dor, mas também nas mais variadas composições de cosméticos.

Graças a uma série de estudos, cientistas americanos provaram que o ácido salicílico também pode ser utilizado em produtos para cuidados com a beleza, como pele e cabelo, já que possui propriedades esfoliantes e antimicrobianas, o que significa que afina a camada espessa da pele, além de evitar a contaminação por bactérias e fungos. "O ácido salicílico tem uma ação muito benéfica na acne (inflamatória e não inflamatótria) devido ao seu efeito antinflamatório, adstringente e esfoliante. Pode também ser utilizado para o tratamento do envelhecimento cutâneo, sendo efetivo na redução das rugas finas, além de melhorar a textura da pele. Sua ação esfoliante se concentra nas camadas cutâneas mais externas, que são ricas em lipídios. A taxa natural de renovação celular nessas camadas se reduz com o envelhecimento, determinando o acúmulo de células mortas, que leva à aparência opaca e áspera", afirma a dermatologista Carolina Marçon lembrando do seu poder anti-inflamatório e regularizador da oleosidade.

Entretanto, de acordo com a farmacêutica e consultora técnica da TAVE, Anelise H. Leite Taleb, estima-se que atualmente cerca de 1% da população sofra de salicilismo, uma alergia ao ácido salicílico ou ácido acetilsalicílico. "Por isso, muitas pessoas se perguntam: quem tem alergia ao ácido contido nos medicamentos, também pode apresentar reações adversas na utilização de cosméticos com essa substância?", comenta a especialista.

Ela ainda explica que a alergia pode ser provocada tanto pela ingestão quanto pelo uso tópico de qualquer produto cosmético ou medicamento que contenha o ativo, se usado em grandes áreas corporais. "A intoxicação pode provocar alterações predominantemente do sistema nervoso central (salicilismo). Além de perda de potássio, hipoglicemia, erupções da pele e hemorragia gastrintestinal. Em casos mais simples, os sintomas podem incluir zumbido, náuseas, vômitos, distúrbios visuais e auditivos, tontura etc. Na intoxicação grave, podem ocorrer delírio, tremor, dispnéia, sudorese, hipertermia e coma", afirma Anelise.

Mas não são apenas em comprimidos e cremes que encontramos o ácido, ele ainda está presente na composição de sabonetes, loções tônicas, géis e emulsões fluidas, além de poder ser utilizado na forma de peelings, claro, com algumas recomendações. "Durante o tratamento com o ácido, a pele fica mais fina e sensível, por isso é muito importante evitar a exposição solar", completa a dermatologista que ressalta: "Peeling com o uso do componente deve sempre ser realizado por indicação e sob supervisão médica, pois as concentrações utilizadas do produto são altas e podem causar complicações se não forem administradas adequadamente."

Mulheres grávidas e com pele seca e sensível e/ou pessoas com hipersensibilidade ou alergia também devem evitar o tratamento com o ácido salicílico. "Nestes casos, existe o risco de piora do ressecamento e aparecimento de reações inflamatórias de hipersensibilidade. Já efeitos colaterais são raros e incluem vermelhidão, ressecamento, formação de crostas e hiperpigmentação temporária. Os pacientes que possuem história de sensibilidade ao salicilato, devem evitar o uso", explica Carolina.

Então, depois de analisar os prós e os contras do ativo mais usado nos cosméticos, nada de sair por aí comprando aquele creminho milagroso que a sua amiga tanto fala. Afinal, o que faz um bem danado para ela pode ser o pesadelo da sua saúde. É importante lembrar que em caso de intoxicação provocada pelo uso do ácido acetilsalicílico, dependendo da extensão, do estágio e dos sintomas clínicos do quadro, o tratamento é feito com corticóides orais ou injetáveis e, por isso, deve ser realizado apenas por médicos. Ou seja, a melhor coisa para evitar surpresas desagradáveis é procurar o dermatologista antes de sair comprando milhares de cremes sem saber o que você pode ou não usar, não é mesmo?

Por Paula Perdiz

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