Você sabia que LER não é uma doença?

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Você sabia que LER não é uma doença

Ilustração do artista holandês Maurits Cornelis Escher

Sabe aquela dorzinha que a gente sente, principalmente nas mãos e braços depois de uma semana estressante? Ela geralmente é causada por LER, lesões por esforço repetitivo. "Muita gente considera LER uma doença, na realidade não é.", revela o Dr. Rames Mattar Jr., médico ortopedista e professor associado da FMUSP nas cadeiras de ortopedia e traumatologia.

"Para definir esta situação DORTE - doenças osteo-musculares relacionadas ao trabalho, seria um termo mais correto. Outro sinônimo é AMERTE aficções musculares esqueléticas relacionadas ao trabalho. São 3 siglas que definem o mesmo problema." Dr. Rames

Ilustração do artista holandês Maurits Cornelis Escher ainda explica que são os mecanismos do trauma que caracterizam o LER, uma postura inadequada, exagerar no trabalho muscular ou articular, etc. Isto, repetidamente, pode ocasionar doenças, a Síndrome do Túnel do Carpo, por exemplo, é uma doença causada por estes esforços em série, muito comum em digitadores. Tendinites de Dequerven, nos tendões que vão para o polegar, também ocorrem com grande freqüência,principalmente em empresas com linha de montagem, em digitadores, profissionais que levantam pesos, esportistas (ex. golfe e tênis).

Muitos afastamentos nas empresas se devem ao LER. "A legislação tem considerado LER como entidade protegida pelas leis trabalhistas. LER não deve ser considerada entidade nosológica, pois não é uma doença bem definida.", afirma Dr. Rames. Ler não é uma doença, mas o fator que as ocasiona. "São sintomas muito variáveis que vão caracterizar um mecanismo de trauma, um esforço de repetição, que pode gerar um monte de doenças em localizações variáveis."

É um erro dizer que o problema é incurável. Uma vez detectado o problema que este esforço continuado causou, indica-se um tratamento. Mas o importante é que se descubra a causa e se possa remediá-la também, isto é, alterando-se o hábito que causava as lesões e, conseqüentemente, as dores. Há um grande número de doenças, e também, um grande número de sintomas: dor em peso, facada, queimação, fisgadas associada, sinais inflamatórios, vermelhidão, alteração de temperatura ou sensibilidade, formigamento, diminuição da amplitude do movimento da articulação, etc. Ao sentir um ou mais sintomas associados procure um clínico, para que ele possa diagnosticar o seu problema e, então, indicar o tratamento correto.

"Infelizmente, uma numa grande parte dos pacientes apresenta um quadro de dor generalizada ou que muda de localização e de característica, assim, mesmo examinando em várias oportunidades e analisando os exames, não se chega a um diagnóstico da causa.", conta Dr. Rames. Estes podem ser casos de Fibromialgia ou Dormiofacia, doenças também relacionadas à parte psicológica e à depressão. Sendo isso é necessário tratar do paciente como um todo, o cuidado deve ser "multidisciplinar, devem ter outras especialidades envolvidas: psicólogos, clínicos e ortopedistas." Alterações do nível de serotonina - neurotransmissor relacionado com o bem-estar e alterações de humor - já foram constatados em muitos destes casos ,e a indicação de anti-depressivos chega a ajudar. Principalmente àquelas pessoas que já estão sem trabalhar a algum tempo e começam a ficar apáticas.


No que diz respeito ao tratamento, o Dr. Rames ressalta que "O caminho é a conscientização do paciente. Tratando e orientando o paciente com relação à ergonomia, não só nas atividades de trabalho, mas também e também em casa.. Deve-se valorizar a qualidade de vida. Com o stress do dia-a-dia no trabalho somado às funções domésticas, responsabilidades e problemas, qualquer um ficaria deprimido, com fadiga muscular e mental. Enquanto nós não nos preocuparmos com qualidade de vida, enquanto tivermos esta dificuldade de sobrevivência nas metrópoles, o ser humano vai padecer de dores." Ele comenta até que agora que os softwares de reconhecimento vocal, que inutilizariam os teclados, podem, no futuro, trazer problemas aos otorrinolaringologistas. Já imaginou?

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