A dolorosa dificuldade de dizer não

Dizer não é importante para impor limites

A dolorosa dificuldade de dizer não

A palavra não, apesar de simples e bem pequena, é ampla em significados. Usada para impor limites nas mais diferentes situações culturais, sociais, políticas e pessoais, há quem tenha medo de usá-la e arcar com as consequências que vêm com ela, mesmo que estas sejam boas para quem a proferiu.

As pessoas que se recusam a fazer uso da palavra não geralmente sentem muito medo de desagradar o outro e, por isso, se martirizam para evitar desconfortos nas relações. "Essa dificuldade está relacionada à criação também, porque foram indivíduos educados por pais que tinham medo de perder o amor dos filhos, com mais cuidado, mais mimos", explica a psicóloga clinica e comportamental Jéssica Fogaça.

Quem só sabe falar sim apresenta grande dificuldade de impor limites e acaba se atolando de atividades e tarefas sem necessidade, o que gera intenso estresse e fadiga. A psicóloga lembra que os filhos dessa pessoa também sofrerão com a ausência do não. "Ao ter dificuldades em dizer essa palavra, os pais criam filhos sem limites, mimados e com dificuldades em se relacionar com os outros."

Outro problema é que ao executar uma ação somente para não desagradar o outro a pessoa está, de alguma forma, criando uma má impressão, pois a tarefa a ser cumprida não será executada com maestria. E, em certos casos, até uma doença pode acomete o indivíduo que se compromete a fazer o que não podia ou não queria.

"Dessa forma, a falta do não é substituída por uma causa real que impede o indivíduo de prosseguir naquilo que ele não quer fazer", aponta Dra. Jéssica. "Os sintomas físicos são concretos e tornam-se as ‘desculpas perfeitas’ para que a pessoa não tenha que dizer a tão temida palavra."

Essa dificuldade não precisa ser eterna. Com um pouco de treino e força de vontade é possível virar o jogo sem prejudicar ninguém. "A pessoa terá que começar aos poucos, falar não para coisas pequenas, com pessoas mais próximas, como amigos mais íntimos. É mais fácil treinar com amigos, porque com os familiares temos uma relação emocional, muitas vezes, de dependência", explica a psicóloga.

Outro passo para a mudança é procurar identificar as coisas que desagradam, que deixam a pessoa mal quando ela abre mão de seu próprio desejo para satisfazer o do outro. A partir daí, é fundamental se manter firme e falar não. "Isso a fortalecerá e a fará se sentir melhor, já que passará a fazer mais atividades para si, dando mais valor ao que a agrada", diz Dra. Jéssica.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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