A Linguagem do Corpo - Parte I

A Linguagem do Corpo  Parte I

Quando vemos um filme, o som e as imagens nos fornecem todos os elementos para uma interpretação correta do enredo.

Se fecharmos os olhos e ouvirmos apenas o som, ou se taparmos os ouvidos e olharmos apenas as imagens, provavelmente o enredo se perderá e a comunicação será incompleta.

O ser humano, ao se relacionar socialmente, entra em contato com o outro e consigo mesmo. Com a linguagem do corpo, a pessoa diz muita coisa aos outros. É uma linguagem verdadeira, que não mente, e pode ser um centro de informações para que o outro tenha uma percepção mais apurada do que é dito.

Gestos e posturas inconscientes revelam o que se passa no íntimo das pessoas. É possível observar que o corpo fala. Pierre Weil e Roland Tompakow, em seu livro O Corpo Fala, utilizam a figura da esfinge para compará-la com o corpo humano.

Na esfinge, o tronco é de um boi, o tórax de um leão, as asas de uma águia e a cabeça de um homem. Cada uma dessas partes tem sua correspondência no físico do homem e na sua constituição psicológica:

1- No homem, o boi representa o abdômen e está relacionado com a vida instintiva e vegetativa. Pode se expressar por uma acentuação ou recuo do abdômen.

2- O leão representa o tórax, onde está o coração. É o centro da emoção, o centro do eu. A postura que destaca o tórax pode revelar que se trata de uma pessoa vaidosa, egocêntrica e narcisista, ou então que naquele momento a pessoa quer ou precisa se impor. Quando o tórax é retraído, pode tratar-se de uma pessoa tímida e submissa, ou que naquele momento sente-se dominada pela situação. Um eu equilibrado se revela por uma postura do tórax normal, isto é, adequada ao bom funcionamento do organismo.

3- A águia representa a cabeça e corresponde ao controle da mente sobre o corpo. A cabeça erguida representa domínio intelectual e espiritual. A cabeça baixa pode significar falta de um controle adequado da situação. Nos contatos entre as pessoas, os componentes da esfinge se relacionam entre si e entram em ação, bloqueando ou liberando atitudes corporais e mentais, de acordo com a situação. O predomínio de um componente da esfinge sobre outro dependerá basicamente da experiência individual.

O corpo se expressa constantemente e o que está dizendo pode durar apenas um breve instante. O corpo fala o que está contido na mente. Mudando posturas corporais e alterando o equilíbrio ergométrico do físico, também é possível influir na mente. Quando a pessoa está desanimada, fica cabisbaixa, olhando para o chão. O simples fato de erguer o rosto pode deixá-la mais confiante e animada. O filósofo Pascal dizia: ajoelha-te e crerás, mostrando a influência da postura sobre a mente. Ao ajoelhar, a pessoa assume uma atitude mental de prece, de introversão, necessária à concentração espiritual.


Na próxima semana daremos continuidade a esse tema, explorando mais a influência da postura corporal na comunicação humana.

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