A pressa é inimiga da refeição

A pressa é inimiga da refeição

O prazer de comer sem pressa está de volta. Adeptos do movimento gastronômico SLOW FOOD, criado na Itália na década de 80, em repúdio à invasão dos FAST FOOD, estão vindo para o Brasil, mais especificamente para São Paulo. Promete ser um grande passo na retomada do comer de garfo e faca. A filosofia é simples: comer bem, respeitando o direito ao prazer.

São Paulo está ganhando espaços exclusivos para os adeptos. Com esta iniciativa, o que está se apregoando é a volta ao passado, onde comer tinha um significado maior do que apenas alimentação.

O prazer de comer bem, calmamente desfrutando a companhia dos amigos e familiares ficou totalmente esquecido e arquivado. Hoje, nos grandes centros urbanos, é praticamente impossível voltar para casa e almoçar tranqüilamente. Os compromissos assumidos na hora das refeições foram um grande achado para os executivos de plantão, que não podem perder tempo no trânsito, nos restaurantes... Tempo é dinheiro... E como dinheiro é a mola propulsora do homem moderno, é fácil render-se aos encantos do rápido.

Entretanto, o rápido pode sair caro, muito caro. Perde-se o contato com a qualidade e, também, com a organização da vida como um todo. Vez ou outra comer rapidamente não atrapalha ninguém, até para testar como anda o ritmo de cada um, a cadência, etc. Porém, fazer disto uma pratica conduz a uma aceleração dos relógios biológicos, que por sua vez, não conseguem seguir o tempo mensurado dos relógios convencionais usados para aferir e situar o tempo...

Nos perdemos neste ritmo alucinante e frenético e colaboramos para que os níveis de ansiedade atinjam patamares muito elevados. É o que acaba acontecendo quando após um dia exaustivo e louco, chegamos em casa para o jantar e simplesmente não nos adequamos àquela freqüência caseira. Nosso relógio continua acelerado e uma das maneiras que encontramos para acalmar esta inquietação é comer, comer, comer, como se algo estivesse para acontecer, como se tivéssemos ainda algum compromisso de trabalho.

Tomara que este movimento SLOW FOOD não seja apenas um modismo fashion e chique. Vamos divulgá-lo e praticá-lo? A vida poderá se tornar bem mais PRAZEROSA...

Comente

Assuntos relacionados: psicologia restaurante slow food

Últimas