A resistência em recomeçar

A resistência em recomeçar

Por que as pessoas começam uma reeducação alimentar com tantas expectativas e, ao mesmo tempo, custam acreditar que dessa vez dará certo?

Você já fez muitas dietas, foi a alguns médicos, fez infinitos exames onde nada foi diagnosticado, se intoxicou com medicações e não conseguiu o resultado esperado ou conseguiu por pouco tempo?

Diante desse quadro é inevitável que se sinta insegura, resistindo muito em começar mais um plano de reeducação alimentar. É preciso ter consciência que não são só os hábitos alimentares que precisam ser revistos e mudados, mas igualmente importante é analisar os sentimentos que estão por trás da falta de controle alimentar.

Há pessoas que passam a vida inteira reprimindo e acumulando seus sentimentos, principalmente os negativos como a raiva, ira, mágoa, culpa, medo e, assim, se intoxicam e depois buscam um remédio ou algo milagroso que possa aliviá-las. Como não encontram uma varinha mágica que promova mudança sem esforço, passam a comer em excesso com o intuito de evitar sentir a dor que esses sentimentos causam e se frustram a cada tentativa que não deu certo. É preciso entender que nenhum alimento tem o poder de aliviar a dor nem compensar o que não se teve, mas isso pode ter sido aprendido desde a infância.

Por exemplo. Se, quando criança, chorávamos e logo em seguida éramos amamentadas, podemos registrar essa atitude em nosso inconsciente, onde nossa mente passa a associar o ato de comer com alívio da dor. O que a princípio foi uma descoberta compensadora e benéfica, mais tarde pode se tornar um impulso sem controle no dia-a-dia.

Geralmente a obesidade nasce da falta de coragem para enfrentar novas experiências, mudar o que causa insatisfação. É como se a criança carente, que existe em nós adultos, buscasse uma compensação para se sentir protegida. A dependência da comida pode representar no íntimo uma fuga e uma compensação daquilo que não acredita conseguir obter por outros meios. Quando resistimos em recomeçar, em acreditar de novo, apesar de sabermos que a situação atual requer uma mudança, é porque insistimos em manter crenças que um dia nos fizeram acreditar como verdades. Aprenda com as experiências anteriores. Afinal, é isso que o passado nos proporciona: aprendizado. Passamos a vida toda acreditando naquilo que nos ensinaram e nem sequer questionamos se são nossas verdades. E assim, mantemos a resistência em começar de novo e o sofrimento.

Talvez das outras vezes que não obteve o resultado que esperava, tenha faltado orientações adequadas ou um motivo real para ir adiante. Se já fez muitas tentativas em vão, procure identificar o que não deu certo, procure aprender com as experiências anteriores. Afinal, é isso que o passado nos proporciona: aprendizado.

Algumas pessoas ficam se lamentando do que já aconteceu e se esquecem de aprender. Acomodam-se, resistem em mudar e, ao mesmo tempo, desejam que o resultado seja diferente. Nenhuma experiência anterior, por pior que tenha sido, deve ser motivo de desistir. É preciso recomeçar quantas vezes for preciso.

A vida é mesmo assim, um eterno recomeço. Devemos ter como referência a natureza, nossa maior fonte de energia. Ela está sempre em constante mudança e transformação, onde nada é estático. E assim deve ser nossa vida. Quando resistimos às mudanças, preferindo manter hábitos que se enraizaram e se sedimentaram através do tempo, acabamos por impedir nosso desenvolvimento. Precisamos de muita força e disposição para acreditar que temos a capacidade de mudar tudo que não nos traz satisfação e alegria.

Quando tentamos muitos caminhos e não conseguimos chegar ao objetivo proposto, deixamos não só de acreditar em outros métodos, mas deixamos de acreditar principalmente em nossa própria capacidade. E, com medo de não conseguir, desistimos e nos acomodamos, ainda que coloquemos em risco a própria saúde.

Você já analisou como está sua vida em todas as áreas? Já pensou o que pode estar buscando fugir ou compensar ao comer em excesso? Quais eram as crenças dos adultos com os quais você convivia quando criança em relação à alimentação? Essas crenças ainda são seguidas por você como regras que devem ser seguidas?

Somente avaliando minuciosamente seu histórico de vida conseguirá identificar a origem de sua compulsão. Procure diferenciar os padrões de pensamento que são úteis daqueles que não lhes servem mais, para que assim consiga modificar o que hoje te causa tanto sofrimento e danos para sua saúde.

Muitas vezes assimilamos crenças que nem sempre são verdadeiras para nós e, enquanto continuarmos rígidos em padrões que já não nos servem mais, mais adiamos nosso bem estar e felicidade. Reavalie o que acredita, jogue fora o que não faz parte da sua verdade. Só assim conseguirá diminuir suas cobranças e obter o controle, não só daquilo que come, mas também de sua vida.    

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