A violência urbana

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A violência urbana

A violência em si não faz parte do campo de estudo específico da medicina. Entretanto, sabe-se que o medo da violência urbana pode interferir na mente e no corpo das pessoas.

O medo exacerbado e sem limites pode gerar excesso de prevenção e desencadear distúrbios. Esses distúrbios podem ser de ordem física, como taquicardia, hipertensão, úlcera, tensão muscular e queda de imunidade. Também podem causar transtornos mentais, desde neurose e paranóia até síndrome do pânico.

O problema se torna evidente quando a pessoa é dominada por um sentimento de medo muito mais intenso que o existente na maioria dos indivíduos, prejudicando sua rotina profissional, familiar e pessoal.

Muitas vezes, o medo exagerado é entendido como um sinal de fraqueza, o que é um erro, pois se trata de uma doença e deve ser tratada como tal.

Quando não consegue uma solução razoável para o medo da violência, a pessoa fica ansiosa e o organismo reage com o aumento da pressão arterial e da sudorese. A pessoa passa a se preocupar com coisas que vão além das ameaças realmente existentes.

A violência é endêmica, sendo raro encontrar alguém que não tenha sido vítima dela, ou que não conheça alguém que tenha sido. A solução depende das autoridades encarregadas de combatê-la e da pressão da sociedade para o governo concentrar esforços e recursos na segurança e na educação de nosso povo. Enquanto isso não acontece, o melhor é adotar atitudes preventivas de acordo com a realidade de cada um.

Hábitos simples, como dirigir com os vidros fechados, não ostentar jóias, portar poucos documentos, cartões de crédito e dinheiro constituem uma forma de uma prevenção que pode deixar a pessoa mais tranqüila.

Atualmente, a polícia e os bandidos às vezes se confundem e o cidadão que trabalha e paga seus impostos fica sem saber a quem recorrer. Assim, a indústria do medo se torna lucrativa: segurança particular, blindagem, grades, câmeras, armas e munições aumentam a paranóia.

Nas ruas, o desconhecido é encarado como uma ameaça. A violência urbana subverte e desvirtua a função das cidades, pois afasta a pessoas umas das outras. Ao se trancafiar em casa, a pessoa não percebe nem vivencia a cidade. Não conhece seus cheiros, cores e luzes. A rua não é mais um local de socialização, mas uma via que serve para levar as pessoas de um local para outro. A pessoa passa a ver o outro com receio, e isso faz com que a imaginação alimente medos maiores do que os justificáveis pela realidade.

As fobias podem surgir quando o medo é desproporcional em relação a determinadas situações. Neste caso, não há apenas medo. Os níveis de ansiedade podem ser tão elevados que a pessoa sente uma necessidade extrema de limitar seu comportamento. Há uma multiplicidade de circunstâncias que podem estar na origem da fobia. É provável que seja necessário recorrer a uma intervenção terapêutica e/ou farmacológica para a pessoa nessa situação sentir-se apta a enfrentar os desafios da sua vida social e profissional.

Encontrar um ponto de equilíbrio nem sempre é tarefa fácil. Entre as atitudes preventivas e as atitudes extremas existe uma linha muito tênue, e está cada vez mais difícil para o cidadão de paz distinguir entre uma e outra. O que não podemos é ficar reféns de marginais, de forma a comprometer nossa qualidade de vida.

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