Adultização infantil

Causas, consequências dessa tendência e como evitá-la
Adultização infantil

Foto: Reprodução / InquireLive

Atualmente as crianças convivem mais com adultos do que com outras crianças, assistindo os mesmos programas de TV, acompanhando a correria do dia a dia dos pais, algumas vezes ouvindo conversas sobre preocupações financeiras, conflitos. 

Desde cedo estão expostas a pressão por resultados, são estimuladas a executarem muitas atividades e serem competitivas para destacarem-se no futuro. Diante deste cenário, as crianças cada vez mais tendem a agir como os adultos, reproduzindo os comportamentos dos pais em suas brincadeiras e em suas relações com os colegas.

Um bom exemplo desta adultização é um reality show de cozinha para adultos, mas que tem edição para crianças, atualmente transmitido na televisão brasileira, onde vemos crianças agindo como adultos, “incorporando” ações e responsabilidades que não necessitam ter nesta idade. Diante deste exemplo podemos nos perguntar: Por que isso acontece? Quais os prejuízos para as crianças? Como evitar esta tendência cada dia mais presente em nossa sociedade? 

É comum vermos crianças desde muito pequenas escolhendo suas próprias roupas, o que desejam comer e os programas que a família fará. Muitos pais sentem-se orgulhosos da autonomia dos filhos, porém, às vezes, falta equilíbrio no lar e a criança que se acostuma a ser o centro das atenções da família e ter todos os seus desejos satisfeitos, acaba tendo dificuldade em dividir e em lidar com frustrações futuramente, principalmente no que diz respeito a interações sociais. 

Outros fatores que contribuem com a adultização infantil são os perigos da cidade, que fazem com que as crianças brinquem mais sozinhas em apartamentos, e a rotina corrida dos adultos, que torna cada vez mais difícil para os pais encontrarem tempo para levar as crianças a parques e ambientes infantis, tornando mais raro que as crianças brinquem com outras crianças.  

As crianças que convivem muito com adultos têm seu desenvolvimento intelectual estimulado, porém o desenvolvimento emocional não acontece no mesmo ritmo e proporção, e é nesse ponto que começam os problemas. Porém as consequências acabam aparecendo em algum momento: excesso de tensão, preocupação com o futuro, com a profissão, auto cobrança pelo melhor desempenho, etc.

Elas acabam entrando em contato com sensações e situações que ainda não desenvolveram maturidade emocional para lidar. Decorrente deste peso que as crianças assumem sem estar preparadas, aparecem casos de doenças, que, antes destas mudanças culturais, eram características dos adultos, como por exemplo: colesterol, hipertensão, estresse, ansiedade, depressão, insônia, entre outras.

Sendo assim, para evitar estes problemas, a criança precisa ter tempo para estudar, descansar e principalmente brincar com outras crianças, uma vez que a brincadeira relaxa e estimula a criatividade de maneira saudável, sendo a oportunidade de aprender a se relacionar com seus pares, dividir, cooperar, esperar, respeitar limites e trabalhar em equipe, habilidades sociais que serão importantes e determinantes para seu sucesso nas relações pessoais, sociais e profissionais na vida adulta. 

O convívio com os pais também é muito importante e se torna muito positivo quando além de dar bons exemplos com atitudes e orientações sobre valores, esses demonstram interesse pelo universo infantil, se disponibilizam para compartilhar momentos e brincadeiras com as crianças, valorizando suas competências e habilidades compatíveis com a idade. 

Através desta interação saudável, amorosa e positiva com suas crianças os pais estarão construindo lembranças, descobertas e experiências infantis em família, que influenciarão as crianças pela vida inteira, aumentando a probabilidade de tornarem-se adultos mais seguros, tranquilos e felizes.

Por Barbara Cristina dos Santos

Psicóloga (www.psicologoeterapia.com.br)


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