Alguns aspectos inconscientes da alimentação

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Alguns aspectos inconscientes da alimentação

Há pessoas que querem emagrecer, pois sabem da importância de eliminar alguns quilinhos para a manutenção de sua saúde física. Outras desejam muito mais por pressões de familiares, médicos, ou mesmo querendo emagrecer para si mesmas, sentem muita dificuldade em manter um processo de reeducação alimentar e não entendem porque isso acontece. Alguns consideram a dificuldade em emagrecer como preguiça, falta de vontade.

Mas, há alguns aspectos significativos, profundos e, muitas vezes, inconscientes que devem ser considerados.  

Existem contradições entre forças conscientes que querem emagrecer e forças inconscientes que fazem rejeitar qualquer tipo de limitação ou mudança que envolve o processo. É importante lembrar que o inconsciente registra todos os acontecimentos e, principalmente, os sentimentos despertados desde a infância e que nem sempre lembramos conscientemente. Isso pode comprometer seriamente qualquer desejo consciente.

Algumas pessoas, por mais que tentem ou digam que estão mudando seus hábitos, sabotam a si mesmas comendo escondido. Levam pacotes de bolachas e comem em seu quarto para que ninguém saiba. Ou atacam a geladeira depois que todos estão dormindo. Há até quem vá para um spa levando algum tipo de alimento escondido em sua mala.

Mentem para os profissionais que a acompanham, para os familiares, mas na verdade mentem, acima de tudo para si mesmas, sentindo muita vergonha por tais atitudes. Mas, não entendem porque não conseguem agir de maneira diferente. A mentira pode ser uma forma de acreditar que se tem o controle sob algumas pessoas, que nunca saberão de seu segredo, já que não conseguem ter controle sob suas próprias ações.

Há uma negação do comer para si próprio como defesa diante de dificuldades emocionais. E como se comesse para não confrontar, não pensar, não sentir. Porém, nem sempre é feita essa relação entre o comer compulsivo e as próprias emoções, mas que na verdade estão totalmente interligadas.

Muitas vezes pode-se também comer com raiva, vorazmente como se tivesse destruindo o alimento, tendo-se a sensação de hostilidade para com alguém que se respeita e teme ao mesmo tempo. A agressividade nessas pessoas em geral é muito reprimida, pois como não consegue expressar sua raiva de outra maneira, o faz ao alimentar-se. É como se ao triturar o alimento estivesse triturando quem não a alimentou de maneira satisfatória quando criança.

Essa raiva ao comer quando adulto pode ocorrer em quem tem uma imagem de uma pessoa persecutória, punitiva, como supunha que fosse quem a alimentava na infância. Ou seja, pode representar como se sentia quando era alimentada por uma pessoa muito irada, pois a criança sente aquilo que o adulto sem perceber transmite.

Enquanto criança pode também ter havido recusas em comer ou comer excessivamente como uma forma de enfrentar e expressar a raiva sentida nos horários da alimentação por presenciar brigas, receber broncas, exatamente durante as refeições. A criança não conseguindo se defender ou reagir, pois havia o medo de ser mais punida ainda, comia muito ou se recusava a comer.

Mas esse registro muitas vezes está apenas no inconsciente, o que pode ter alguma relação com pessoas que comem quando estão nervosas, iradas, apesar de que a maioria come em busca de prazer, principalmente quando não sente, ou não se permite, sentir prazer em outras áreas da vida.

Quantas crianças ao deixarem algo cair na mesa começam a tremer de tanto medo de serem severamente castigadas? Isso também explica muitos adultos que sempre acabam sujando a toalha da mesa, deixando cair bebidas, comidas, com o intuito, inconsciente, de serem compreendidas.

A compulsão alimentar nem sempre é pelo alimento em si. É só observarmos uma criança. Quando ela busca o seio da mãe não está envolvida apenas com a satisfação alimentar, mas busca acima de tudo uma significativa troca de experiências, que pode ser amorosa ou não.

Uns podem receber aceitação, outras rejeição, mas sempre a busca é pelo afeto, carinho e amor. Essa interação dos primeiros meses de vida é sentida intensamente pela região oral e é através dela que a criança começa a perceber o mundo que a cerca.

Estas vivências infantis e primárias vão servir para nosso psiquismo como modelo de respostas futuras. Quem não recebeu essa troca de afeto e carinho no momento da alimentação, poderá continuar essa busca quando adulto. Ou seja, poderá compensar através da comida o amor não recebido por aqueles com quem convive.

Há ainda quem quando criança teve a comida como gratificação, podendo fazer essa mesma relação quando adulto, ou seja, buscará a comida como fonte de gratificação. Quantas frases ouvimos quando crianças nos fazendo relacionar a comida a aspectos positivos? São frases que ficam registradas em nossa mente agindo como verdadeiras crenças quando adultos.

Por exemplo: se comer tudo que está no prato te deixarei sair , fulano é um pão , fome de justiça, insaciável desejo de riqueza . Ou ainda podendo a comida ser usada como controle: se não comer tudo mamãe vai ficar triste , não come para ver a surra que vai levar , se não comer ficará doente .

Cada um talvez lembre de muitas outras frases, as quais nos fazem pensar como éramos manipulados, controlados e condicionados a acreditar que a comida tinha o poder de nos fazer feliz se comêssemos ou punidos se não o fizéssemos, e que pode se estender até hoje.

A comida é procurada muitas vezes e, inconscientemente, como tranqüilizante, o que explica até certo ponto comer demais quando se está ansiosa, preocupada, pois pode ter aprendido desde criança que se deve comer para amenizar o sofrimento.

Por tudo isso é muito importante lembrar, ou buscar informações, como eram os momentos da refeição quando criança, e principalmente, como era alimentada quando bebê, pois geralmente há uma relação entre os sentimentos que recebeu quando foi alimentada e a maneira com que se alimenta hoje.   

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