Alimentos e ecstasy

Alimentos e ecstasy

Lendo a matéria de Márcia Vieira no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO sobre comportamento abordando o tema ECSTASY, a droga do glamour, onde a socióloga Maria Isabel Mendes de Almeida pesquisou por três anos o perfil dos usuários no Rio de Janeiro, resolvi fazer uma comparação com o comportamento dos obesos.

Na citada pesquisa, os depoimentos de jovens revelou que os motivos que os levam a consumir a droga são: "Porque a gente tá num momento na vida que a felicidade real de vez em quando não acontece (...)"; "Falta alguma coisa. Se você tem uma coisa, você toma remédio. Se sentir dor, tem antiinflamatório. Se sentir dor de cabeça, tem aspirina. A bala (ecstasy) é exatamente isso: quero ficar feliz, vou tomar uma bala".

Quanto ao efeito, que eles chamam de fritar, após o uso, pode dar uma depressão, mas mesmo assim depois de uma parada e se cuidar, voltam a usá-la. É mais ou menos o que ocorre com os alimentos. Para sentir-se um pouco feliz come determinados alimentos (como por exemplo, o chocolate) e depois se lamenta que aquilo o fez engordar. Mas o pequeno momento de felicidade aconteceu.

Isso ocorre muito nas festas de aniversário, casamento, reunião de amigos no final de semana, no happy hour, etc. Naquele momento tudo pode e até há exageros nas quantidades de alimentos e bebidas. É como se a mente falasse: "hoje pode, você merece ser feliz". Depois bate o arrependimento porque percebe o exagero que cometeu.

Essa busca da felicidade a todo custo por intermédio da alimentação não é ilícita como no caso das drogas, mas os efeitos são os mesmos. No momento da ingestão a intenção é positiva: "A busca da felicidade, da paz ou da harmonia", mas a longo prazo vem a obesidade com suas conseqüências.

Está faltando hoje em dia ter a consciência de que essa vida contém mais sofrimento, dor, experiências desagradáveis do que felicidade. A felicidade está nas pequenas atitudes, na forma de viver. Ela não está numa estação aonde se chega e pronto, ela está na viagem completa.

Resumindo, esses pequenos momentos de felicidade devem ser mais bem elaborados, sem exageros para que se possa repeti-los sem maiores conseqüências.

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