Ao gosto dos pais

Ao gosto dos pais

Mesmo que não sejamos pais ou mães, com certeza somos filhos, frutos de pessoas que carregam o difícil papel de educadores. Quando nos tornamos pais, já trazemos em nossa bagagem uma história de vida, e a forma como educaremos nossos filhos dependerá muito da interpretação que damos às nossas experiências passadas e à nossa visão do futuro.

Claudio S. Hutz é autor de um livro onde define quatro estilos adotados pelos pais para educar seus filhos:

1. Pais autoritários: como o próprio nome diz, são muito exigentes, agem de forma rígida, impondo valores, regras e punições, não permitindo aos filhos desenvolverem a capacidade de auto-regulação. Os filhos assim educados poderão ter dificuldade para entender com clareza as situações que a vida apresenta

e também para modificar comportamentos, agindo com rigidez. O autor relata que, de forma geral, os filhos de pais autoritários têm bom rendimento escolar e não apresentam problemas de comportamento, porém têm altos níveis de ansiedade, retraimento social e medo.

2. Pais indulgentes: têm dificuldade de impor limites e são pouco exigentes, tolerantes e bastante afetivos. Assim educados, os filhos adquirem boa auto-estima, mas poderão apresentar agressividade, com possibilidade de chegar à delinqüência e ao uso de drogas.

3. Pais negligentes: não se interessam pela educação dos filhos e estão mais preocupados consigo mesmos. Os filhos poderão ter bastante comprometimento no desenvolvimento psicológico, prejudicando as atividades acadêmicas e sociais, com aumento de somatização, depressão, ansiedade, agressividade e uso de drogas.

4. Pais autoritativos: Hutz considera que esse é um padrão de educação mais equilibrado, onde há uma interação entre pais e filhos por meio de conselhos, regras e normas, de maneira que o controle não seja uma rígida imposição de desejos e expectativas dos pais, pois estes encorajam a autonomia dos filhos e se mostram disponíveis para o diálogo. Os filhos assim educados apresentam auto-estima elevada, autoconfiança, bom rendimento escolar, adaptação psicológica e social.

Está claro que educar implica o uso de autoridade para estabelecer limites e impor disciplina, e o relacionamento afetivo é prioritário para o desenvolvimento equilibrado da personalidade.

Saber dosar e refletir sobre o tipo de educação e suas conseqüências para os filhos, é sinal de maturidade e responsabilidade, pois a educação é dinâmica e requer trabalho, amor e coragem.

Não devemos esquecer que mais importante que as palavras, o exemplo dos pais tem forte influência sobre o comportamento dos filhos. Pela própria natureza da educação sempre existirão atritos, diferenças e arestas a serem aparadas, mas se conseguirmos a amizade, a confiança e o respeito de nossos filhos, teremos o caminho aberto para um relacionamento saudável e verdadeiro.

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