"Assento Reservado"

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Assento Reservado

Há algum tempo não utilizava um "bom" e conhecido meio de transporte chamado de coletivo ou, mais popular, ônibus. Não que tenha algo contra, mas a comodidade que um carro oferece é de provocar uma amnésia parcial e providencial... Ontem, por um saudosismo romântico, quis me aventurar a enfrentar este tipo de locomoção.

Como estava adiantada para o meu compromisso, resolvi então ir de ônibus, pois teria um tempo maior para as minhas doces lembranças do dia anterior.

Quando subi não havia lugar para sentar. Como o trajeto era curto, não me incomodei com a situação e fiz minha viagem em pé. Inevitavelmente, comecei a olhar para os lados quando uma placa me chamou a atenção. Por ser um pouco míope, consegui ver que havia 4 figuras bem definidas e alguns dizeres explicativos. Fui me aproximando e comecei a ler e observar aquelas figuras. A placa sinalizava que os assentos próximos eram reservados para "idosos, gestantes ou com crianças no colo, deficientes e obesos".

Pensei que tivesse lido errado. Comecei, então a fazer uma associação entre as figuras e os dizeres, tentando identificar quem era quem. Fiquei um pouco sem entender e não sabia que havia uma preocupação com os gordinhos a este ponto.

Sensibilidade, sensatez, preocupação, zelo, conscientização ou discriminação?

Confesso que fiquei um pouco espantada com tal referência e mais espantada ainda com minha reação. Senti-me um pouco ofendida, apesar de não ser "gordinha"; digo sempre que minha alma que o é...

Lugares especiais para pessoas especiais como idosos, gestantes e deficientes além de ser uma lei municipal é uma manifestação de humanidade e sensibilidade para com aqueles que de alguma forma necessitam de cuidados e alguns privilégios, pois a preservação da saúde e bem estar é o que importa.

E quanto ao gordinho? Quais seriam os verdadeiros motivos para tanto carinho e prestação de serviço? Será que um gordinho atrapalha ou ocupa muito espaço se prosseguir sua viagem em pé? Será que se eu fosse gordinha e um certo alguém me oferecesse o lugar para que eu sentasse, aceitaria de bom grado e ainda admiraria tal atitude, ou fingiria não ser comigo?

Idoso eu sei como é...

Gestante ou portando criança de colo, idem...

Deficiente físico, idem, idem.

Obeso? Qual será o padrão ou medida para tal parâmetro, sendo que isto é individual e muito particular? Cada qual com sua perspectiva, ponto de vista... Sinceramente não gostei.

Será que a atitude desta empresa foi criteriosa, delicada e altamente competente no quesito "qualidade no atendimento ao cliente" ou grosseira, agressiva e muito "americanizada"? Será que o aumento de peso da população está provocando uma remodelação nos conceitos e padrões do que é "especial"?

Seja lá qual tenha sido a proposta ou a intenção, ao meu ver foi altamente perturbadora e questionável a ponto de me deixar pensativa e muito preocupada.

Em minha memória romântica e juvenil (a grande responsável por esta vontade meio estranha em andar de ônibus), placas são e sempre serão sinais de perigo, cuidado...

Será que estou sendo muito sensível e nada prática? Será que a emoção foi maior e mais forte que a razão?

Por favor, auxiliem-me nesta dúvida enviando e-mails sobre esta questão. Ficarei aguardando.

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