Comer chocolate favorece a crise de enxaqueca?

Conheça alguns alimentos que podem desencadear as crises

Comer chocolate favorece a crise de enxaqueca

A Páscoa passou, mas as sobras de chocolates continuam na sua despensa, e aí fica difícil não abusar, não é mesmo? No entanto, se você sofre de enxaqueca, é melhor não exagerar. Afinal, ele pode ser um dos alimentos desencadeadores das crises, funcionando como gatilhos, assim como café, queijos e vinhos.

O Dr. Marcelo Ciciarelli, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia, explica que alguns alimentos possuem substâncias que, quando absorvidas pelo intestino e carregadas pela circulação sanguínea, atingem centros cerebrais, disparando os processos que desencadeiam a enxaqueca. No caso específico do chocolate, são a tiramina e a feniletilamina.

Ainda segundo ele, a enxaqueca é uma doença hereditária. Ela pode se manifestar ainda na infância, porém, é mais comum que isso aconteça no período entre a segunda e a terceira década de vida. No entanto, é possível controlar a frequência das crises com alguns cuidados, como a identificação dos gatilhos.

"Pelos fatores alimentares que causam a enxaqueca serem numerosos e dependerem da sensibilidade pessoal do indivíduo, não costumo receitar um regime, mas oriento o paciente a tentar determinar os ‘seus gatilhos específicos’ e, dessa forma, evitá-los", destaca o especialista.

Então, o chocolate pode ser um deles, mas não é o responsável por enxaquecas em todos que sofrem desse mal, já que os desencadeadores mudam de pessoa para pessoa. "Acho importante deixar claro que os gatilhos alimentares são individuais. Por exemplo, alguns pacientes têm dor desencadeada pelo chocolate, enquanto outros pelos queijos", conta o Dr. Ciciarelli.

Com isso, o consumo de um determinado alimento não está contraindicado para todos que sofrem de enxaqueca. "Além disso, a falta de alimento, ou seja, o jejum prolongado se constitui num fator desencadeante muito mais frequente do que os alimentos propriamente ditos", adiciona.

Em relação ao controle, ele afirma que pode ser feito por meio de medidas farmacológicas e não farmacológicas. "As não-farmacológicas constituem mudanças no estilo de vida, como praticar atividade física regularmente, dormir bem e em horários regulares, manter uma dieta balanceada evitando o jejum prolongado e controlar o estresse", relata.

O Dr. Ciciarelli finaliza abordando as medidas farmacológicas. "Neste caso, existem dois tipos de abordagem: tratamento abortivo das crises de enxaquecas, utilizando analgésicos comuns, antiinflamatórios e medicações específicas para enxaqueca, e tratamento profilático, que tem como objetivo a redução das crises e é indicado para as pessoas que têm mais do que duas crises por mês, sendo adotados farmacológicos, como betabloqueadores, antidepressivos e antiepilépticos."

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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