Como é o momento de se olhar no espelho?

Como é o momento de se olhar no espelho

Como é o momento de se olhar no espelho? uem está com uns quilinhos a mais geralmente sente muita dificuldade em se olhar no espelho

E sabemos que o problema não é o espelho e muito menos o que vemos refletido nele, como muitos pensam, na verdade, começa muito antes desse temido confronto. Ao acordarmos, muito antes de levantarmos, somos abatidos por um profundo mal estar. A cama parece funcionar como um ímã, que retém o corpo. Você vira de um lado para o outro e não consegue se levantar. O despertador toca, você ouve o alarme como um som distante, que aos poucos vai se aproximando.

Você ainda consegue desligá-lo, apesar da vontade de jogá-lo para longe. Sente suas pernas como se estivesse imobilizada, a cabeça pesada. Enfim, todo seu corpo parece prisioneiro da cama. Por que levantar, em certos dias, parece ser tão difícil?

Evidentemente, não me refiro a situações em que se restabelece de alguma enfermidade, ou em que estamos cansados, estressados, comum nestes novos tempos, onde algumas horas a mais de sono consegue recompor-nos. Refiro-me a uma sensação abstrata, que tem tal peso, que parece concreta. Mesmo sendo uma sensação difícil de se definir, se torna uma realidade que consegue tornar o dia desgastante, pesado e sem fim.

Ao superar a resistência para levantar da cama, a nova maratona começa quando se olha no espelho. Ao ver seu rosto refletido, percebe os olhos inchados, olheiras, rosto cansado, resultado de uma noite mal dormida, onde a vontade de voltar para cama fica ainda mais forte. Não é preciso dizer que o resto do dia será marcado pelo mau humor, às vezes por uma "dor no peito", um nó na garganta, irritando-se com tudo e com todos.

Não há vontade de fazer nada, o que mais se quer é um quarto escuro para chorar. É claro que o espelho reflete nosso rosto e/ou corpo, mas o diferencial é o que estamos sentindo e expressando através de nosso corpo.

Você procura as causas desse mal-estar e não consegue encontrar nada. Mas a angústia continua com a sensação de que algo ruim vai acontecer. Pode durar um dia ou muitos, não importa, o importante é parar e buscar identificar as possíveis causas para que consiga reagir. Logo você pensa que o responsável por sentir-se assim é seu peso, mas será mesmo? Mesmo que você não consiga perceber facilmente, saiba que com certeza, existe uma causa. E que nem sempre são os quilinhos a mais.

Você pode começar, procurando lembrar se teve algum sonho ou pesadelo. Isto poderia justificar suas sensações, pois os sonhos nos transmitem mensagens de conteúdos inconscientes e que devem ser interpretados. O sonho pode estar carregado de situações que você não quer se recordar e por isso há resistência em lembrar.

Tente ainda se lembrar do dia anterior para recordar se houve algum fato desagradável e que por um tipo de defesa seu inconsciente bloqueou, mas ficou registrado e agora busca de alguma forma sua atenção. Às vezes você ouve algo e nem percebe o quanto incomodou. Por exemplo, alguém agiu como sua mãe autoritária agia e seu inconsciente transmite apenas a emoção registrada referente à situação original, e você revive tudo emocionalmente, como se estivesse vivendo novamente a situação.

Mas tudo isso acontece inconscientemente, e você nem se dá conta, não percebe. Por isso, relembrar os últimos acontecimentos, com quem falou, o que ouviu, e principalmente, seus sentimentos, é muito importante. Em que momento você lembra ter sentido algo diferente? Isto pode ser um sinal. Você também pode ter ouvido uma música que a fez reviver alguma situação que a tocou, mas nem percebeu no momento.

É preciso buscar qualquer fato, não despreze nada. Enfim, são muitas as situações que nos tocam na emoção e com a correria do dia, nem nos damos conta. Passamos por cima de nossos sentimentos como se fossemos um verdadeiro trator, ou seja, não respeitamos o que sentimos e depois esperamos ficar bem. Como?

Tudo isso acontece quando algo foi reprimido por não suportar a dor e a emoção que acarretam, mas fica registrado no inconsciente. Na maior parte das vezes, contudo, a causa não descoberta nem sempre é a situação que ocorreu, mas sim o fato de ter reprimido o sentimento despertado diante de tal situação. Estamos sempre ultrapassando os próprios limites, ignorando o que sentimos e ficamos distantes de quem somos.

Devemos lembrar que nossa cultura e educação valorizam mais a dedicação aos outros que a nós próprios. Somos educados de forma a subestimar nossas próprias necessidades e a supervalorizar o outro, o que provoca o comportamento de procurar agradar sempre. Em conseqüência, dedicamos tanto tempo procurando agradar ao outro - por necessidades inconscientes de ser amada, aceita - que esquecemos de agradar a nós próprias.

Para mudar esse quadro, você precisa aceitar a si mesma, com seus defeitos, qualidades e sentimentos. Você não precisa ser perfeita, mas isto não a torna indigna de consideração e respeito. Por isso, procure se libertar da busca constante da aprovação do outro e aceitar sua própria forma de ser. Se você puder sentir e ser você própria, certamente se sentirá bem e conseguirá viver em paz. E se há algo em si mesma que não gosta, se comprometa com as possíveis mudanças.

Evidentemente, não é tão simples superar tantos pensamentos e sentimentos negativos como os descritos no início deste artigo e mudar o que deseja de um dia para outro. Mas aja como a criança, que apesar do primeiro tombo, não desiste de aprender a andar. Treine, insista, seja persistente. Escolha pensamentos e atitudes que a façam alcançar o que deseja. Enfim, aceite que você merece e pode ser feliz, e para isso, o mais importante é amar a si mesma.

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