Devaneio que faz bem

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Devaneio que faz bem

Sabe aqueles momentos em que a cabeça fica leve, o pensamento vazio e mundo todo pode acabar que você nem percebe? Não os bloqueie mais! Eles são importantes para a saúde do corpo e da mente. O devaneio - uma espécie de sonho acordado, como diria Freud - são produtivos e úteis para a formação do psiquismo humano e para manutenção do bem-estar.

A psicóloga Dirce Perissinotti, membro do corpo clínico do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, de São Paulo, afirma que se o sistema cerebral não se desenvolve também para o devaneio e para o ócio, acaba sobrecarregado e pode apresentar consequências. "Quando uma das partes trabalha além da capacidade, entra naturalmente em sobrecarga. E caso haja grande dispêndio de energia psíquica (ou o resultado não for útil), o organismo encontra-se em crise", afirma. "O que se observa em muitos estudos é que dependendo dos objetivos de uma tarefa algumas ondas cerebrais são acionadas e outras lentificadas".

A psicóloga Luciane Gerodetti, também de São Paulo, completa dizendo que quando recorremos à mente em seu estado acelerado, fica impossível encontrar algo novo, novas respostas, novas possibilidades. "O devaneio permite, portanto, aflorar e acessar outros recursos internos, fora do universo de tagarelice mental, e é nesse estado que os insights, as grandes novas idéias e os turning points da vida ocorrem", afirma.

Com a ciclagem cerebral em baixa, o estado de ansiedade fica diminuído, o que acaba abrindo à mente a novas perspectivas, viabilizando o encontro da solução de problemas e, como consequência, o equilíbrio das funções orgânicas como um todo. "O pensamento gera uma ressonância pelo corpo e este reage a essa informação, fortalecendo-se ou enfraquecendo-se", diz Luciane, que também é terapeuta floral, responsável pela criação do sistema "Essências Florais da Chapada Diamantina".

Sabendo disso, que tal descansar mesmo o cérebro - e deixar pra lá um pouco da necessidade frenética de lotar a "caixa postal mental"? Dirce lembra a necessidade moderna da super atualização sobrecarrega mesmo o cérebro - e é preciso cautela, já que não há espaço para tanta informação, captada diariamente. "O conhecimento e a informação são importantes, mas o forte apelo a que os indivíduos se deixam levar para o lugar daquele que ‘sabe absolutamente tudo’ têm trazido consequências", afirma.

Para evitar essas consequências a que Dirce se refere, é preciso descansar o cérebro, ou seja, não fazer nada! "Sentar na varanda, tomar um chá e olhar o céu. Entrar no mar e deixar o corpo entregue às sensações das ondas, passear de mãos dadas com alguém que amamos sem preocupações, tomar um banho relaxante e perfumado, folhear uma revista e perder-se nela, ter um hobby, praticar um esporte com prazer, fazer arte. Existem milhões de maneiras de descansar o cérebro, e todas elas estão ligadas à capacidade de descobrir e dedicar-se a fazer algo que nos dá prazer", ensina Luciane. "Mudança de padrões, técnicas de meditação, psicoterapia, biofeedback e a psicanálise podem induzir ao auto-conhecimento", completa Dirce.

Quem nunca consegue criar esses estados, acaba sentindo-se exaurido - e a vida fica sem graça e sem cor, pesada. O devaneio é, portanto, o momento de sair do turbilhão, mergulhar em si mesmo, ganhar força, motivação, renovação e, então, retornar ao mundo real - com muito mais energia e criatividade. Que tal aproveitar o agora para pensar em nada?

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