Do fatalismo para a esperança

Do fatalismo para a esperança

"Uma pessoa pode viver quarenta dias sem alimento, três dias sem água, oito minutos sem ar, mas nenhum minuto sem esperança."

Autor não identificado

Contam por aí a história de um homem que percebeu que estava lentamente perdendo a memória. Ele procurou um médico e, após um exame cuidadoso, este lhe disse que uma cirurgia no cérebro poderia reverter a situação e fazê-lo recuperar a memória.

- No entanto, - disse o médico - você precisa compreender que a cirurgia é muito delicada. Se um nervo for lesado, isso poderá resultar em cegueira total.

Um silêncio profundo encheu a sala.

- O que você prefere conservar - perguntou o cirurgião, tentando quebrar o incômodo silêncio - a visão ou a sua memória?

O homem ponderou sobre suas alternativas por alguns momentos e então respondeu.

- A visão, porque eu prefiro ver para onde estou indo a lembrar onde já estive.

Esse mesmo raciocínio é endossado pela pessoa que entende como a vida está passando rapidamente e que, para sobreviver e prosperar, ela precisa deixar o passado para trás. Você pode não esquecer o seu passado, mas não precisa viver nele.

O passado é um assunto morto e não podemos ganhar impulso para nos mover em direção ao amanhã se estivermos arrastando o passado atrás de nós. Por mais importante que seja o seu passado, ele não é tão importante quanto o caminho que você vê e prepara para o futuro.

Nossos esforços, portanto, devem se concentrar na tarefa de aguçar nossa visão e não salvar nossa memória.

Você consegue hoje lembrar-se o que fazia exatamente há um ano? Sobre o que você estava falando? Você estava zangado ou feliz, ansioso ou confiante? Pode ser que você guarde a vívida lembrança de algo dramático que tenha ocorrido. Para a maioria de nós, porém, o que nos preocupava naquele dia ficou nebuloso ou já se desvaneceu de nossa memória consciente.

Quando não temos esperança no futuro, continuamos obcecados com o passado e reféns do fatalismo, sem força para viver o dia de hoje.

O fatalismo é a atitude predominante na maioria das pessoas que vivem arrastando o passado. Ele é expresso em frases como: "Sempre foi assim, nada pode ser feito a respeito disso"; "Não se pode mudar o mundo"; "É preciso aceitar a realidade". Uma pessoa fatalista diz: "De que adianta? No final, vamos perder. Somos vítimas do destino". Essa atitude leva-nos, facilmente ao ressentimento, à amargura, à desesperança, ao desespero.

Mas preservar a visão é muito diferente de cultivar uma memória fatalista. É seu extremo oposto, é esperança. Uma pessoa com esperança está disposta a deixar que coisas novas aconteçam e assume responsabilidades que ultrapassam possibilidades jamais cogitadas.

Ter esperança não quer dizer evitar ou ser capaz de ignorar o passado de sofrimento. Na verdade, a esperança nasce no aprendizado com o passado. O fundamento de nossa esperança é acreditar que algo melhor irá acontecer. É crer que hoje é o primeiro dia do restante de sua vida. Assim, de nada serve se inquietar pelo passado, pois não há nada que você possa fazer a respeito. Mas você tem o dia de hoje e é hoje que começa tudo que está para acontecer.

Sugestão para leitura

"12 Segredos simples da felicidade no trabalho"

Glenn Van Ekeren

Editora Cultrix - São Paulo, 2002

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