Em busca do equilíbrio

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Em busca do equilíbrio

*Nilcéia Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) / foto Flavio Santana

Encontrar o equilíbrio no meio do furacão que é a vida da mulher moderna é tarefa complicada. Em pleno século 21, depois de garantir conquistas importantes e espaços essenciais na sociedade, elas se perdem entre tantas atividades e responsabilidades. E sabe o que isso significa? Que é preciso reavaliação.

No mês das mulheres, a revista Cláudia organizou um fórum com especialistas de peso para discutir exatamente isso: a dificuldade em administrar esse perfil moderno. Nesse desequilíbrio de papéis, o estresse aparece como grande vilão. Segundo a filósofa e terapeuta Regina Frave, o estresse é conseqüência desse excesso de papéis que a mulher assume e da velocidade, das pressões. "Quando ela não encontra condições de metabolizar esse estresse, é facilmente capturada pelas pressões e perde um pouco a capacidade de tomar decisões", avalia. Ai, até escolher uma coisa simples fica complicado. Já pensou optar por algo mais sério?

A aceleração em que se vive hoje é uma ameaça à sobrevivência psíquica das pessoas. Segundo Regina, o risco da exclusão social é que atormenta as mulheres e, por isso, elas vivem correndo atrás da superação de resultados, atrás de formas e soluções para todos os problemas ao mesmo tempo. E não importa se você é marisqueira em Florianópolis ou presidente de uma empresa em São Paulo. "A diversidade cultural é grande, mas o núcleo comum da angustia está em todos os níveis sociais entre as mulheres, da doméstica à executiva, em todo o Brasil", diz a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

A apresentadora Maria Paula, da Rede Globo, participou do debate e concordou com a ministra. "Mesmo com condições, dinheiro, educação, o ‘predator’ da sociedade continua nas minhas costas. Há sempre o medo de ser substituída, trocada, deixada para trás". Ela confessa que passa fome e precisa voltar à forma em breve para reassumir a função na televisão. "Meu diretor me liga sempre perguntando se já estou no peso ideal".

Mas ela conta que o tempo a ajudou a perceber a importância de não se deixar atropelar pelo monstro da cobrança social. "Na minha primeira gravidez, trabalhei até o dia do parto. Agora, tirei o ano todo para curtir minha gestação e meu filho". Ela está com 38 anos e além de Maria Luísa, de quatro, é mãe do pequeno Felipe, de oito meses.

Um dos grandes vilões - e causas do estresse - é o tempo (ou a falta dele). "O ocidente é neurótico com relação ao tempo. Brigamos com ele em tudo que fazemos", analisa o sociólogo Roberto Gambini. E como resolver a problema da administração dos horários? Simples. É preciso libertar a mente. "A meditação ajuda, porque coloca você em estados onde o tempo não importa", ensina o estudioso junguiano (da terapia que explora basicamente os sonhos e a fantasia). Ele ressalta que é preciso equilibrar a relação com o tempo, sem esquecer que, apenas com ele é possível se desenvolver - o exemplo de Maria Paula vale.

Para a terapeuta Regina, a mulher precisa aproveitar o tempo para amadurecer sem medo. "Ela tem o direito de ser quem quiser, não importa a idade. O envelhecimento biológico carrega a beleza do envelhecimento cultural", filosofa.

Força de trabalho

No passado, os números revelavam um mínimo de mulheres participando da vida economicamente ativa. Isso, segundo a ministra Nilcéia, explica o porquê de, antigamente, as discussões quanto ao papel da mulher se limitar ao espaço doméstico. "Hoje, 52% são economicamente ativas e os impasses não se resolvem mais dentro de casa. Agora a questão é social e precisa ser discutida inclusive no âmbito das políticas públicas".

Nesse sentido, o governo tem o projeto Pró-equidade de gênero que, entre outras coisas, trabalha no sentido de estimular as empresas a equiparar salários, funções e direitos entre homens em mulheres. "As empresas que aderirem tem benefício fiscal além de ganhar um selo de ‘equidade’". Nilcéia admite que as leis não mudam a cultura de um país. "Mas é obrigação do governo criar instrumentos para que as pessoas possam disputar espaços". No mesmo caminho, ela levanta a questão da licença maternidade estendida e do direito à creche. "É uma obrigação da sociedade dividir com a mulher a responsabilidade da reprodução da vida".

E no meio desse monte de realidade, qual a saída? Para o único homem convidado do debate, a solução é evoluir enquanto ser humano. Mas como? "É preciso uma sessão de desapego, simplificar a vida. O tempo é nosso companheiro eterno e precisa ser nosso amigo". Tentar paralisar o tempo, voltar atrás, ou acelerar aquilo que ainda nem aconteceu são erros comuns que, se corrigidos, pode ajudar a equilibrar a vida moderna. "Gosto de uma frase do Fernando Pessoa, que diz ‘Abdica, sente-te ao sol e sê rei de si mesmo’. É é isso que eu digo às mulheres: sentem-se ao sol e sejam rainhas de vocês mesmas".

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