Emagrecer dá Ibope

Emagrecer dá Ibope

Esta semana, uma revista de grande circulação nacional trouxe, em uma de suas reportagens, a preocupação da população brasileira com o peso. Uma pesquisa realizada pelo Ibope constatou que 45,8% dos brasileiros, ou seja, quase a metade da população, pensa em programas alimentares e 10% topa qualquer coisa para perder peso.

Atualmente, 40% da população brasileira encontra-se em sobrepeso.

O que aquece o mercado de produtos voltados a este público que deseja emagrecer. Que o diga as indústrias farmacêuticas e todos os outros serviços direcionados para os emagrecimentos relâmpagos e pela lei do menor esforço. Os aparelhos, cremes, cintas, pílulas, chás, manuais são alguns dos produtos mais vendidos.

Com base nestes dados, fica evidente que há uma preocupação muito grande por parte da maioria dos brasileiros com aquilo que se põe no prato. Não importa a classe a que esta parcela da população se encaixe na pirâmide social.

Para um país onde boa parte da população ainda passa fome, esses dados são no mínimo curiosos, ainda mais se levarmos em conta que os Estados Unidos, estigma de primeiro mundo, é que tem este tipo de problema. Lá, 80% da população está acima do peso, e o número de obesos mórbidos* é proporcionalmente alto.

Sob a luz da ciência, estes dados confirmam a epidemia que está se tornando o aumento do peso. Sob a luz social, chega até dar um certo status no cenário mundial globalizado. Sob a luz do comportamento, há uma certa ansiedade pairando no ar...

Seja lá qual for a ótica, o fato é que o perfil do brasileiro mudou, digo, silhueta. Com a silhueta mais arredondada, o brasileiro está correndo atrás da mágica, do milagre emagrecedor.

Contudo, o básico e fundamental está sendo esquecido. Para emagrecer a proposta número 1 e inerente é a "boca". Se não houver uma conscientização pela reeducação alimentar, de nada adiantará a corrida maluca ao arsenal fantástico de emagrecimento de que atualmente o mercado dispõe.

Pode-se diminuir o peso e fazer com que os espelhos reflitam imagens deslumbrantes e altamente sedutoras. Se a conquista for apenas temporária se tornará tão efêmera que o sabor do fracasso será inevitável: o mais complicado no processo do emagrecimento não é a conquista do peso ideal, mas sua manutenção. Basta um descuido, apenas um deslize para se voltar ao ponto inicial e assim reviver a eterna "síndrome sanfona".

O grande desafio para todos, que de uma certa maneira estão envolvidos com este tema, é esta proposta da reeducação alimentar. Ela não significa deixar de comer tudo o que você gosta, mas reaprender a comer reconhecendo seus os limites e necessidades. Esta consciência adquirida torna-se um trunfo no processo de emagrecimento.

Evidente que este método é mais demorado e requer muita disciplina, mas sem nenhuma demagogia é o mais saudável e consciente. Os próprios profissionais de saúde aconselham a deixar os quilos para trás devagar, para que eles realmente não voltem. Desta forma os resultados virão no ritmo adequado. A sabedoria popular não mente: "devagar se vai ao longe."

Basta não desistir. Ter paciência. Ser determinado e acima de tudo, acreditar que é capaz.

*De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) obeso mórbido é quem apresenta um IMC superior a 40. A faixa de IMC de quem tem um peso considerado adequado está entre 18,5 e 24,9

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