Entenda a influência do El Niño neste verão

Entenda a influência do El Niño neste verão

Mais uma vez, enfrentamos um verão atípico, especialmente por causa do grande volume de chuvas na região Sudeste do país. Diferente de 2008 e 2009 - anos em que foi marcante a presença do fenômeno La Niña -, o verão 2010 está sendo influenciado pelo El Niño. E, embora a maioria das pessoas tenha o hábito de assistir ou ler a previsão do tempo, fenômenos climáticos ainda são mistério para muita gente.

"Tanto o El Niño como o La Niña são fenômenos de escala global, ou seja, exercem influência em vários pontos do nosso planeta. Ambos são diagnosticados pela temperatura da superfície do mar (TSM) no oceano Pacífico equatorial, ou seja, próximo à linha do Equador. O El Niño é detectado pelo aquecimento anormal das águas, enquanto o La Niña é detectado pelo resfriamento", explica Cassia Beu, da Somar Meteorologia.

As causas dos fenômenos ainda são desconhecidas e, como afirma a meteorologista, "nem mesmo as mudanças climáticas têm relação com o El Niño/ La Niña, pois temos conhecimentos desses fenômenos desde o século 17, muito antes da industrialização" - época em que a temperatura terrestre teria começado a se elevar.

A possibilidade de diagnosticá-los e saber suas consequências permite que as regiões afetadas possam tomar algumas providências a fim de evitar desastres e prejuízos. Cassia citou a costa do Peru, que tem a pesca prejudicada pelo aquecimento das águas em tempos de El Niño.

No Brasil, são as regiões Norte e Nordeste que mais sofrem nesses tempos, pois chove menos. "A exemplo do que já estamos observando, o El Niño provocará chuvas mais intensas na região Sul nos próximos meses e chuva abaixo do normal no Nordeste e Norte. No Sudeste e Centro-oeste, a chuva termina um pouco antes do normal e, por esse motivo, teremos temperaturas mais altas a partir de março", prevê Cassia.

Apesar de ter chovido muito na região Sudeste nas últimas semanas, a culpa dessa vez não é do El Niño, e sim da temperatura das águas da costa brasileira, que está acima da média. Assim, é mais fácil haver evaporação nos mares, o que forma nuvens carregadas.

Não podemos interferir de forma tão direta no clima, mas podemos evitar que consequências como enchentes tomem proporções ainda maiores. "As pessoas devem seguir as orientações da defesa civil quando é sugerida a desocupação de algum lugar, por exemplo. Não devem enfrentar enxurradas e nem alagamentos", alerta Cassia.

Além disso, não custa nada tentar manter o local onde se vive mais limpo e menos perigoso. "Nós vemos que muitas inundações acontecem por causa do entupimento de bueiros devido ao lixo jogado nas ruas. A população tem uma participação muito importante para evitar enchentes", finaliza.

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