Estômago reduzido

Estômago reduzido

A cirurgia de redução de estômago está ganhando cada vez mais adeptos. Conhecemos casos em que as pessoas fazem regimes para engordar com o objetivo de atingir o peso necessário para a indicação da cirurgia

O perfil da pessoa que escolhe esse método de emagrecimento já foi comentado em outra matéria.

Quero mostrar a realidade de minha experiência em consultório, na qual acompanho várias pessoas, homens e mulheres, de idades variadas, que passados alguns anos após terem sido submetidos à cirurgia de redução de estômago vieram para iniciar um processo de emagrecimento.

O que temos percebido nesses casos é o mesmo que ocorre com as que fazem regimes de emagrecimento com medicamentos. Depois de atingido o objetivo, voltam a engordar.

Em ambos os casos a pessoa come pouco, por não caber no estômago reduzido ou porque o medicamento suprimiu a fome. Só que o apetite ainda existe.

Lembrando os conceitos: fome é a necessidade de se alimentar e ocorre de quatro a cinco horas após a última refeição. Apetite é a vontade de comer e geralmente dirigida a alimentos calóricos. Esta não depende do tempo da última refeição. É a famosa "fome psicológica".

Na redução de estômago a pessoa por ter pouco tecido estomacal a fome é menor, e a liberação do hormônio grelina(da fome) também é menor. Acontece que nada foi feito para se lidar com o apetite e este se traduz na ingestão de leite condensado, mousses, pasta de amendoim, cerveja etc. de forma exagerada. Já soube de cliente que toma cerca de oito garrafas de cerveja por dia ou uma lata de leite condensado.

Explicando, os líquidos e alimentos cremosos têm passagem livre pelo estômago reduzido, não encontram resistência. Daí a possibilidade do exagero.

Vemos então que mesmo num processo cirúrgico em que não depende da vontade da pessoa para emagrecer a longo prazo essa vontade precisa existir. Não adianta ter um estômago pequeno se o apetite é grande.

O apetite depende muito do estado emocional de cada um. Saber lidar com as emoções. Trocar determinados alimentos calóricos por outros menos calóricos. Resolver os problemas emocionais, enfrentar os medos, sejam reais ou imaginários.

Vejo aí a grande importância da equipe interdisciplinar que faz redução de estômago, onde o papel do psicólogo é relevante. Acontece que os operados fogem das consultas de acompanhamento. Afirmo aqui que a cirurgia é apenas o início de um processo.

Aguardo perguntas e sugestões

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