Filho sonhado e filho real

Filho sonhado e filho real

Quando um homem e uma mulher decidem se unir, eles formam uma nova família. São duas pessoas diferentes, com suas próprias crenças, educação e cultura, que precisam ajustar-se para uma boa convivência.

Um ambiente saudável para proporcionar um desenvolvimento equilibrado aos filhos dependerá do amor, do respeito mútuo e do diálogo entre os pais e os filhos. A forma de atuação junto aos filhos tem implicações no desenvolvimento da criança e do adolescente. A expectativa a respeito do futuro dos filhos muitas vezes gera conflitos e, e em alguns casos, chega a prejudicar o desenvolvimento emocional da criança.

Muitos pais desejam que seus filhos não passem pelas mesmas frustrações e privações que eles mesmos sofreram no passado. A preocupação com o bem-estar material dos filhos faz com que, durante décadas, haja um grande esforço econômico na família.

Embora isso seja necessário, os pais às vezes se esquecem que a formação emocional dos filhos também é uma herança importante para eles. A afetividade não vivenciada no círculo familiar exigirá muita energia e tempo para ser reconstruída, se a pessoa estiver motivada e disposta a tanto.

Durante a primeira infância, a mãe zelosa tem como expectativa o ganho de peso do bebê e pode alimentá-lo excessivamente. Também tem no seu imaginário a figura do bebê gordinho. Que fofinho, dizemos quando vemos uma criança acima do seu peso normal.

O que na primeira infância é motivo de admiração, no futuro poderá trazer preocupação com a obesidade. Por outro lado, a expectativa do corpo perfeito, faz os pais submeterem seus filhos a exercícios físicos exagerados e a restrições de alimentos que eles não conseguem aceitar. Angústia, ansiedade e frustração são sentimentos que podem ocorrer em crianças e adolescentes que não conseguem corresponder à expectativa de estética corporal dos pais.

Quando as crianças entram na escola, as exigências acadêmicas, especialmente as obrigações decorrentes da aprendizagem da leitura e da escrita, tornam evidentes as dificuldades, e alguns pais vêem frustradas as suas expectativas de terem filhos brilhantes.

A criança sente que não corresponde ao que dela se espera e isto pode provocar ansiedade e vários distúrbios psicossomáticos, como dores de cabeça, dores de barriga e vômitos. Interessante notar que esses sintomas desaparecem durante as férias, nos feriados e nos finais de semana. Mais tarde, na fase da escolha da profissão, as expectativas dos pais poderão gerar novos conflitos. Ao desejar que os filhos sejam "doutores", poderão não aceitar plenamente a profissão para a qual os filhos pensam ter vocação.

É normal que os pais desejem o melhor para os filhos. Porém a família constrói expectativas sobre o futuro que os filhos nem sempre conseguem sustentar satisfatoriamente. O nome dado à criança, o sexo ou a posição na ordem de nascimento podem gerar nos pais uma expectativa, que, muitas vezes, é incapaz de separar o filho real do filho sonhado. Não se deve pretender que o filho seja o que os pais são, ou o que os pais gostariam de ter sido. Os pais não devem desejar que os filhos sejam clones melhorados deles mesmos, cobrando coisas que nunca conseguiram realizar, pois os maiores prejudicados serão os próprios filhos.

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