Metas de fim de ano

De que forma os sonhos nos impulsionam a ir mais longe

Metas de fim de ano

Estabelecer metas é importante para nossa felicidade, desenvolvimento e satisfação pessoal, para a realização dos nossos sonhos e também para manter a motivação sempre em alta. São elas que nos fazem acordar todos os dias bem cedinho e acreditar que o dia de hoje será melhor do que o de ontem e nos reservará boas surpresas. E quando chega o fim de ano, o ato de traçar metas é comum porque essa época é vista como o fechamento de um ciclo.

"Em períodos como esses existe uma tendência natural das pessoas fazerem um ‘balanço’ da vida, repensarem suas escolhas, reavaliarem seus atos, etc. E, com isso, aproveitam para estabelecer mudanças importantes para ajustar os rumos de suas vidas", diz Meiry Kamia, psicóloga, consultora organizacional e Diretora da Meiry Kamia - Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento.

Quanto mais audaciosas e ambiciosas são as pessoas, mais elas enxergam que podem crescer e querem mais da vida. E Meiry explica que metas só são motivadoras quando são particularmente importantes para seu idealizador. Quando as pessoas desconhecem a real causa de suas metas, se desmotivam no meio do caminho. Um exemplo é a história do filho que quer ser músico, mas faz Medicina porque este é o sonho dos pais. Com o tempo a motivação pela área médica se esvai.

"Em todas as escolhas que fazemos, com certeza, enfrentaremos obstáculos, mas quanto maior for a motivação, maior será a força de vontade empregada para a superação deles. Se a motivação é baixa, logo desistimos", lembra a especialista. E esse desânimo toma conta quando acontece a perda da autorreferência, ou seja, quando fazemos escolhas com base nas necessidades de outras pessoas. Passamos a desejar carros, bolsas, sapatos e corpos sarados porque os outros valorizam, mas não porque realmente queremos isso.

Por essa razão, começamos o ano animados com as metas, mas perdemos o ânimo ou, com o decorrer do tempo, até nos esquecemos das metas que nós mesmos estipulamos. Portanto, quatro pontos merecem atenção na hora de estabelecer metas realmente motivadoras. O primeiro, falado anteriormente, é saber se as mesmas são realmente importantes para a pessoa em questão.

O segundo é o raciocínio estratégico. O autoconhecimento fará com que a pessoa estabeleça com precisão o tempo e as ações necessárias para alcançar o seu objetivo. Caso contrário, a frustração tomará conta da execução do plano. O terceiro está relacionado ao foco e determinação. Alimentá-las é um exercício diário. Sem foco, qualquer problema, mesmo sem relação com seu objetivo, passa a ser maior do que sua meta, e esta acaba sendo comprometida.

O quarto e último ponto é manter a coerência entre aquilo que se deseja com aquilo que se faz. Algumas pessoas estipulam metas, mas não fazem absolutamente nada para transformar a meta em realidade. "Por exemplo: a pessoa quer se tornar diretora financeira mas, ao invés de investir tempo e dinheiro para desenvolver suas competências, prefere passear, namorar, descansar, dormir e sair com amigos. Podemos levar uma vida de prazer, mas também temos que escolher de que forma utilizaremos nossas energias e economias", alerta Meiry.

A especialista dá um exemplo: vamos supor que você seja tímido, mas tenha a meta de se tornar um orador. "Comece estipulando pequenos comportamentos que mostrem que você está fazendo algo diferente e que vá em direção à meta desejada. Cumprimente seus colegas de trabalho em bom som todos os dias no trabalho. Não importa se todos os colegas irão responder. A questão importante é a ação que você está realizando."

Faça isso até que o comportamento se torne normal para você. Depois estipule metas maiores, procure participar mais de reuniões, busque cursos, leia livros etc. Utilize as oportunidades que a vida lhe oferece. "A questão do tempo dependerá do quanto isso é importante para você. Lembre-se que tudo tem um preço, quanto mais rápido você desejar o resultado, maior deverá ser o seu empenho em termos de tempo e dinheiro investidos. Não há mágica no processo, ao contrário, é tudo bem racional e objetivo", diz Meiry.


Juliana Falcão (MBPress)

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