Muito mais que palavras...

Muito mais que palavras

Palavras... Recurso poderoso que utilizamos para expressar opiniões, pensamentos ou sentimentos para outra pessoa. Podemos ser transformados pelas mensagens que cada palavra transmite. Um elogio sincero ou o reconhecimento por algo feito podem nos estimular e mudar nosso humor. As palavras podem curar, mas também ferir profundamente quem as ouve.

O tempo passa e algumas palavras, algumas, ouvidas há anos, soam como se fossem no tempo presente. Outras, ainda que recentemente, ficarão para sempre na memória, principalmente aquelas que acusam, humilham, ferem, culpam. Estas são as mais difíceis de serem esquecidas. Principalmente se não forem baseadas na verdade, ou apenas na verdade de quem ataca.

Há tantas formas de se comunicar com o outro, por que a necessidade de ferir tão profundamente alguém? Será uma demonstração fiel de como se sentiu tratado durante a vida? Ou ainda, como na verdade se trata? Pode ser uma das respostas.

Talvez isto explique aqueles que estão sempre se expressando de forma agressiva. A agressividade muitas vezes é uma grande defesa inconsciente, pois sendo ou não agredidos, interpretam como se fossem e em resposta, agridem. Em geral, são pessoas que cresceram sentindo-se constantemente erradas por tudo que sentiam, tornando-se assim, adultos ameaçados pelos próprios sentimentos.

Como não acreditam terem algo bom para dar, a agressividade contra os outros é apenas o reflexo de uma agressividade contra si mesma. Demonstra ainda, uma fuga acerca dos próprios sentimentos, pois possui a mesma dificuldade consigo mesma, não mantendo o diálogo interno, fundamental para o autoconhecimento.

Algumas palavras têm o poder de fazer emergir do fundo de nossa mente, lembranças negativas do passado. Isto acontece porque tudo fica registrado no inconsciente e quando alguma lembrança vem à tona, desencadeada por palavras ditas, mesmo que não a percebemos, traz uma reação emocional e a resposta traduzida em palavras é para estas lembranças não resolvidas dentro de si, que nada tem haver com a conversa do momento ou para quem é dirigida.

A dificuldade em manter um diálogo com outra pessoa sem ferí-la, demonstra uma pessoa que, no íntimo, se trata com a mesma agressividade, ou seja, sem carinho, sem amor, e que no fundo é o que mais precisa. O mais difícil é perceber todo este processo. É preciso estar atento às próprias reações.

Palavras expressam acima de tudo, nossos sentimentos. Pergunte a si mesmo se o que diz corresponde ao que sente. Se a resposta for negativa, para que falar? Ou você é uma daquelas pessoas impulsivas, que por vezes fala sem pensar? E depois só resta suportar as conseqüências e se houver consciência do estrago feito, tempo e oportunidade, pode tentar mostrar seu arrependimento e reconhecimento por meio de outra palavra: "desculpe". Mesmo assim, é difícil esquecer algumas palavras, pois realmente elas têm o dom de curar ou matar algo dentro de uma pessoa.

Existem as críticas construtivas, o alerta, mas a maneira com que se fala, faz toda a diferença. Certas palavras podem construir ou destruir uma relação. Acredito que o principal é usar a sensibilidade e a humildade, características raras hoje em dia e que nem todos conseguem desenvolver.

Se não há nada de bom ou positivo a dizer, é melhor simplesmente não falar nada. Mas o silêncio como resposta deve ser usado com cuidado, pois pode ser interpretado como indiferença e desprezo. Quando na tentativa de um diálogo, perguntas são respondidas com o silêncio, ou seja, não são respondidas, o monólogo se sobrepõe, não há eco e a sensação de vazio se instala. E pode machucar tanto quanto algumas palavras.

O diálogo deve ser entendido como uma tentativa para que duas ou mais pessoas possam se comunicar e se entender. A agressividade, o orgulho, só faz com que o outro se sinta ferido, a comunicação interrompida e a distância mantida.

Pense como você usa suas palavras, não só com outras pessoas, mas também as que dirige à você mesmo. Pense, pense muito antes de falar, reflita se não está magoando e lembre-se que suas palavras poderão soar para sempre na mente de quem o ouve. Ou ainda, coloque-se no lugar para quem você fala e imagine você ouvindo aquelas mesmas palavras. Como se sentiria? É importante sim, expressar seus sentimentos sem medo, mas, acima de tudo, com respeito e sensibilidade pelos seus próprios sentimentos e principalmente, de quem o ouve. Afinal, amanhã você pode estar do outro lado. Ou acabar sozinho.

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