Novidades Incessantes

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Duas passagens, ocorridas num pequeno intervalo de tempo, nos chamaram a atenção para uma ansiedade muito comum entre as mulheres.

Estava em uma loja de objetos de design, procurando um presente de última hora e me deparei com uma pequena imagem de Buda, numa caixinha de acrílico. Um objeto para ser usado como enfeite em uma estante ou mesa, cuja função, evidentemente, é fornecer um "toque místico-religioso" à composição de um ambiente.

Fui me aproximando para ver melhor e avaliar se era um bom presente para a aniversariante querida. A vendedora, astuta, identificando meu interesse, rapidamente soltou a pérola: "Não sei se você sabe, mas a filosofia oriental agora "está saindo". E "está chegando" a filosofia indiana, quer dizer, egípcia e indígena"

Fiquei olhando para ela, atônita, sem conseguir alcançar a profundidade daquele sincretismo. Paciente, ainda comentei: "Mas esta é uma imagem do Buda!" Ela olhou novamente e encerrou o assunto: "Não, não. É um faraó"

Este caldeirão filosófico ilustra muito bem um padrão contemporâneo que nos assola, principalmente as mulheres. O interesse pela última tendência em filosofia de vida, que nos elevará para um novo estágio de existência, e, o mais importante, em apenas duas semanas. Quase como o mais recente lançamento de preenchedor de rugas.

Um pouco mais tarde, já no aniversário, peguei carona na seguinte conversa:

- Que médico é este? Me dá o telefone!

- Claro. Ele faz medicina quântica e ortomolecular.

- Hã!? Nossa, que interessante! Quero ir. Mas o que é isto?

- Bom, só a consulta custa R$ 600,00. Os remédios, R$ 450,00. Mas eu fiquei ótima. Ele eliminou todas as impurezas do meu organismo. Por exemplo, que tipo sangüíneo você é?

- A +

- Então, já te falo: você não pode comer carne, nem manga, nem mamão.

- Uau!!

Exageros à parte, não se pode negar que a maioria das mulheres, independente de classe social, idade ou estilo, se interessa por novidades desta natureza. Ainda que saiba que os prometidos resultados milagrosos não serão obtidos, ela não resiste. Notei a ansiedade nos olhos das espectadoras da conversa. Pareciam estar pensando: "como eu ainda não tinha ouvido falar disto?"

O que nos parece interessante ressaltar, contudo, é que, longe de serem dondocas, ou dondocas em tempo integral, as mulheres que formavam a roda, eram empresárias, executivas, artistas, mães. E esta conversa fez parte de um leque bem maior de assuntos, como trabalho, filhos e questões existenciais. Tudo junto, interligado, conectado, fornecendo uma amostra do caleidoscópio de interesses que compõe o universo da mulher atual.

Por: Uma a Uma é uma empresa de inteligência de mercado especializada no público feminino. As sócias e colunistas do Vila Mulher, Denise Gallo e Renata Petrovic, ajudam a entender melhor e desvendar as várias faces da mulher contemporânea.

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