O avesso do avesso

O avesso do avesso

Hoje, para variar um pouco, vou falar sobre o outro lado: o magro. Quem não morre de inveja (no bom sentido, se é que existe) de alguém magro? Deixando de lado a hipocrisia e a falsidade, todos padecemos destes sentimentos não tão nobres.

"Como será que ela (e) consegue ter um corpo destes?". Em algumas oportunidades, este questionamento passa por nossas cabeças, principalmente quando assistimos a desfiles, entrevistas de modelos famosas, novelas, ou mesmo em nosso dia a dia em que aquela nossa colega de trabalho, com a qual convivemos e invariávelmente acabamos almoçando, não se intimida e come de tudo e em quantidades generosas. "Como ela (e) pode e eu não?".

Explicações quanto ao metabolismo, biotipo, hereditariedade são pertinentes e plausíveis, mas que é um privilégio, isto é.

Não vou me esquecer de uma revista de famosos que adoram mostrar seus quartos, piscinas e sais de banho quando tinha em sua capa uma modelo que acabara de dar a luz a um lindo garotinho (filho de um famoso roqueiro internacional) e estava deslumbrante em fotos de semi-nudez.

Será que é um privilégio apenas dos que estão na mídia? Como será que estas mulheres conseguem engravidar, dar a luz, amamentar e após alguns dias estarem com os corpos maravilhosos, os seios lindos? Como?

Seja lá qual for a causa, conseguem e por essas coisas do destino se tornam ainda mais bonitas e esculturais. Realmente é admirável...

Mais admirável ainda, são os personagens anônimos magros e estes não avaliam o quanto são antagonicamente admirados e invejados.

Estes, os verdadeiros magros, que não fazem apologia disto ou daquilo são pessoas muito especiais quanto ao comportamento alimentar.

Geralmente comem para poderem viver. Apreciam e saboreiam todas as guloseimas sem o menor pudor e o que é principal, sem nenhuma culpa.

Comer é mais alguma coisa que faz parte do seu dia e não se deposita muito da emoção quando se alimenta. O paladar, olfato e visão são os sentidos mais solicitados. Se satisfazem e não se preocupam com a próxima refeição, quanto que estão ingerindo de calorias, quantos e quais exercícios terão que serem executados para a queima desta ingestão. Comem tranqüilos e desfrutando ao máximo das companhias, do lugar, da decoração.

O magro natural é uma pessoa como outra qualquer, que padece dos mesmos males, insatisfações, alegrias, tristezas, decepções, expectativas, dúvidas, incertezas, que a pessoa que está com o peso acima do ideal. Entretanto, a maneira que ele encontra para minimizar suas aflições e angústias não acaba em um prato de comida. Ir a um restaurante, lanchonete, rotisserie, doceria é algo extremamente gratificante e não motivo de preocupação.

Será que existe algum segredo para se atingir este estágio de magro natural? A genética sem dúvida alguma é em grande parte responsável por tal feito, mas também o fato de algumas pessoas saberem pensar magro e agirem como tal contribui muito para que os invejosos apostos se corroam.

E o que é pensar e agir magro? Isto fica para a próxima semana.

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