O retorno à vida

O retorno à vida

Diante de todo esse processo de separação e que quase sempre é doloroso, você deve ter elevado seu autoconhecimento. Também deve ter aprendido a enfrentar melhor os momentos de solidão, pois aprendeu que deve contar acima de tudo consigo mesma. Mantenha esse processo independente das situações ou com quem esteja. Não deixe de olhar para você e nem de escutar suas necessidades. Esse é o momento para ser inteira e assim se manter.

Antes de qualquer envolvimento, tenha certeza que está preparada e tenha muito cuidado em suas escolhas. De que maneira você tem escolhido seu relacionamentos? Com a emoção ou com a razão?

O ideal é que haja um equilíbrio entre ambas, estando muito consciente com quem e por qual motivo estará se envolvendo com alguém nesse momento, estando atenta a qualquer carência que possa estar dirigindo suas ações.

Lembre-se que muitas vezes nossas escolhas estão relacionadas à maneira que aprendemos e sentimos o amor na infância e pelo modelo de relacionamento que vivenciamos de nossos pais. Qual a referência de relação afetiva que registrou? Com certeza poderá interferir nas suas escolhas futuras. Necessidades insatisfeitas por causa de pais distantes, omissos ou superprotetores podem gerar carências, buscando muitas vezes relacionamentos com pessoas com o intuito de preencher essas carências anteriores através do parceiro, confundindo carência com amor.

Analise se não está em busca de alguém por sentir dificuldade em lidar com sua solidão. Caso tenha aprendido a lidar com esses momentos, valorizando sua própria companhia estará mais preparada para outro relacionamento.

Pode acontecer também que o medo de relacionar-se esteja muito forte e o que deveria ser um tempo necessário de reconstrução passa a ser um refúgio que a faz evitar uma nova relação. Se for o caso, repense sobre seus sentimentos e os motivos reais para continuar sozinha.

Agora que já reformulou seu conceito de amor, entendeu o que houve, rompeu com um passado que tanto a machucou, entrou em contato com seus sentimentos e suas necessidades e está mais consciente do que não quer mais para você e, principalmente, aprendeu a se amar, poderá se abrir para um novo relacionamento.

Ao pensar em uma relação, qual seria o ideal de relacionamento para você? O que não quer mais? Daqui para frente quais são seus objetivos? Decida o que realmente precisa de um relacionamento. Analise o que lhe faz feliz. Entre em contato com o que quer e procure ser coerente com seu desejo. E tenha cuidado com as concessões. Claro que não encontrará alguém perfeito, pois isso não existe e também não somos perfeitas. Mas busque relacionar-se com alguém o mais próximo dos seus valores, objetivos, para que lá na frente, o que foi concessão hoje, não seja motivo de mais uma separação.

Esteja aberta para compartilhar, trocar, sem idealizações. Depois de todo esse processo e ter encontrado alguém é muito comum se deparar com a não aceitação dos filhos perante o (a) novo (a) companheiro (a) da mãe e/ou do pai. Pode haver resistências, cobranças e a dificuldade dos filhos em aceitarem. É importante que os filhos respeitem a decisão de quem está começando outro relacionamento, seja o pai ou a mãe, como também fazer essa aproximação aos poucos, ouvindo seus temores, fantasias e expectativas. Tranqüilizando-os que não serão abandonados e nem deixarão de serem amados, dando-lhes tempo para adaptarem-se à nova situação.

Impedir de se relacionar porque o filho não quer é responsabilizá-lo no futuro por sua infelicidade. E nenhum filho deseja que seus pais sejam infelizes, ainda que a princípio não aceitem. No futuro poderão se sentir culpados da solidão dos pais e seus devedores, tornado-se emocionalmente dependentes. É comum o filho sentir medo, inconscientemente, de perder o afeto e o amor, podendo ver na nova pessoa uma ameaça ao amor que o pai ou a mãe tem por ele. Quem lhe garante que este também não vai embora? Isso acontece mais quando pequenos. Quando adultos sentirão que um pai e/ou mãe tranqüilos, felizes, com vida afetiva satisfatória é a melhor garantia para a harmonia de todos.

Estando consciente de que nenhuma união irá satisfazer todas suas necessidades e que é importante antes de amar alguém se nutrir de seu próprio amor, poderá viver seu novo relacionamento sem medos, mas com a certeza de que está se permitindo ser simplesmente feliz!  

Comente

Últimas