O Retrato de um Fracassado

O Retrato de um Fracassado

"Nem tudo o que é enfrentado pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado."

James Baldwin

Reconhece-se um fracassado por seu comportamento excessivamente servil e por sua atitude negativa, que se manifesta em seu ressentimento, hostilidade e sarcasmo; no abatimento com que se conduz, e no desalinhamento de sua forma de vestir.

Contudo, às vezes o fracassado se veste de maneira excessivamente elegante, para impressionar os demais e ocultar seus próprios sentimentos de inferioridade.

Em seu trabalho o fracassado não faz as coisas por convicção, mas porque tem que fazê-las. O seu único objetivo na vida é conseguir prazeres insignificantes e sem sentido.

A autodisciplina não faz parte de seu caráter. Pode até ser uma pessoa bastante inteligente, mas não emprega a inteligência em algo que valha a pena. Como qualquer outra pessoa, possui certos conhecimentos e capacidade, mas nunca se preocupa em desenvolvê-los, só os guarda para si. Na verdade, não está disposto a compartilhar nada com ninguém.

A falta de ambição, de confiança em si mesmo e de firmeza em suas convicções são suas principais características. Se realiza alguma pequena tarefa, logo fica arrogante e vaidoso. Não tem nem metas, nem iniciativa. Geralmente não gosta de trabalhar e faz de tudo para trabalhar o menos possível.

E ainda que quase sempre sonhe em fazer alguma coisa, nunca chega a fazê-la. Simplesmente espera, espera e espera. O que ele espera? Não se sabe, aliás, nem ele mesmo sabe...

Era o caso de John. O ponto alto de sua vida foi quando o nomearam representante dos alunos de sua classe, aos 13 anos. Esse cargo representou o ponto máximo de sucesso em toda a sua existência. A vida de John é um enigma. Embora nascesse em uma casa de luxo, ele ficou conhecido como um vagabundo sem um tostão sequer.

Embora fosse filho de um magnata do petróleo bem-sucedido, John desistiu de muitas coisas antes de terminá-las. Apesar de seus pais serem pessoas extrovertidas e sociáveis, John sempre foi introvertido, solitário, quase estóico.

Os poucos amigos disseram que ele tornou-se vítima de seus próprios fracassos. Numa família bem-sucedida, ele não se destacou de modo algum. Seu irmão e irmã conseguiram vencer, mas não ele. A ovelha negra. A mancha da família que não tinha nome.

A faculdade só serviu para piorar as coisas. Ele a freqüentou irregularmente durante sete anos, sem jamais formar-se. John era solitário na escola, um jovem pesadão, com olhos vidrados

e carrancudo. Um de seus professores lembrou: "Havia quase sempre carteiras vazias ao seu redor, como se conscientemente preferisse sentar-se sozinho".

Vazio. Quase desconhecido por aqueles com quem entrava em contato, sua passagem era marcada apenas por desordem, sujeira e escritos confusos. Não conhecemos as emoções, mas acreditamos conhecer o resultado delas.

John Warnock Hinckley Jr. parece ter tido toda intenção, no dia 30 de março de 1981, de matar o Presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan. Por amor a uma estranha, afirma-se que ele esvaziou o revólver no corpo de quatro homens.

Depois de confinado em um hospital para tratamento psiquiátrico, ele tentou tomar uma dose excessiva de Tylenol, mas falhou. John não pôde matar o Presidente, nem a si mesmo.

Nosso mundo tem pouco espaço para os fracassados. Nossos sistemas de empreendimentos centrados no êxito são ideais para os bem-sucedidos, mas devastadores para os que fracassam. Num esforço para criar ganhadores, também criamos desajustados.

Para o Cristianismo, mesmo os perdedores têm mérito: "... os últimos se tornarão os primeiros..." É nossa missão levar uma mensagem para uma vida como a de John W. Hinckley Jr. e enchê-la de valor! Incentivá-lo a viver uma vida na plenitude de seu potencial. Dizer que é uma época de grandes mudanças e de novos começos positivos. Afirmar que o passado terminou, mas que há necessidade de libertar-se dos ressentimentos, das atitudes e das convicções que ainda o prendem a ele.

Conscientizá-lo sobre a nova jornada de novos interesses, experiências, metas e compreensões: sobre a vida, sobre ele próprio, sobre onde esteve, sobre onde está agora e sobre onde gostaria de estar. E, como tantas mudanças drásticas serão necessárias, que ele aprenderá o significado

da coragem.

Encoraje-o a não se intimidar pelos erros inevitáveis. Eles podem não ser nem mesmo erros, mas um meio de obter conhecimento. A todo momento, todos nos encontramos em território desconhecido.

Os erros não são erros se aprendermos com eles, e não os repetirmos. Aprender com os erros é permitir que a experiência seja agregada a nossas vidas. Deixar que a culpa ou a censura controlem nossas vidas, isso sim, é um erro.

"Mentes grandes discutem idéias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas."

Blaise Pascal

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