O valor das coisas simples

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Luxo é ser simples e viver de modo menos acelerado que o normal

O valor das coisas simples

Seja nos lançamentos de novos celulares e computadores ou na procura incessante pelas últimas roupas que as grifes lançaram, vivemos bombardeados por consumismo de todos os lados. O status e a ostentação assumem o lugar da necessidade sobre a maioria das coisas. Mas ser diferente e nadar contra a maré é possível, apesar de trabalhoso.

E é pensando sobre essas coisas que a blogueira do "Balzaca Materna", Daniele Brito, de 33 anos, assumiu uma nova postura em sua vida, no qual o luxo é ser simples e viver de modo menos acelerado que o normal.

A moça, que por muito tempo achou que frequentar os melhores restaurantes e as melhores baladas era o máximo, descobriu que a vida luxuosa está em poder aproveitar de perto a infância dos filhos, ter tempo para vê-los crescer e conseguir conciliar uma vida comum, com trabalho e contas a pagar, com uma vida mais orgânica, na qual a convivência em família é mais importante do que a roupa que se veste ou o preço do celular nas mãos.

Segundo ela, essa foi uma decisão multifatorial. "Para criar filho não basta simplesmente atendermos aos seus e aos nossos desejos. Acredito que criar filhos é um compromisso que se renova diariamente. Se pensarmos bem, veremos que toda mudança deve começar em casa, na formação daqueles que, daqui a poucos anos, farão parte ativamente da sociedade. Este é o compromisso que resolvi firmar comigo mesma na educação dos meus filhos", afirma Daniele.

Mãe de duas crianças, Bia, de 10 anos, e Otto, de cinco, ela tenta transmitir a eles alguns valores diferentes do que vemos normalmente. "Mostro para os meus filhos que cercar-se de coisas traz uma felicidade instantânea, mas não duradoura. Não precisamos de coisas, quando estamos cercados de afeto e cumplicidade", conta a blogueira.

No quarto de seus filhos não existe televisores ou computadores, mas livros. Daniele acredita que a falsa ideia de conexão da rede funciona como um isolador da realidade, já que acaba-se fechado em um mundo particular, com amigos virtuais, ao invés de desenvolver um diálogo real, levando-os, assim, a estar ausentes no ambiente familiar. Com o afastamento promovido pelos aparelhos, as crianças perdem a capacidade de criar universos a partir de si mesmas, e é exatamente por isso que a leitura é tão importante, pois estimula essa criatividade que vai se tornando estéril.

"Vamos preenchendo o tempo das crianças com outras atividades, facilitando o contato com brincadeiras que normalmente não são feitas durante a semana, como brincar com tinta ao ar livre. Não necessariamente juntos, mas, essencialmente, perto um do outro", conta a mamãe sobre suas estratégias de criação. E ao contrário do que possa parecer, ela afirma que as crianças não dão trabalho para aceitar esse modelo, já que suas identidades foram e estão sendo construídas com base no "ser" e não no "ter".

A filha mais velha de Daniele já está na puberdade, fase que exige bastante dos pais e costuma trazer algumas dores de cabeça. Mas com companheirismo, cumplicidade e confiança a blogueira passa pelos apuros da adolescência com muita suavidade. "Só há rebeldia num ambiente onde há falha na comunicação, onde existe a falta de compreensão", explica.

E nenhum desses hábitos tolhe a infância das crianças, sabia? Quando a relação é pautada pelo respeito ao espaço do outro, na confiança e no afeto, tudo se dá de forma muito simples e natural. A mãe blogueira não usa de imposições, que trazem uma obediência vazia, para ensinar seus filhos. Ao invés disso, ela dá meios para que as crianças concluam, por si mesmas, qual o melhor a ser feito. "Por isso mesmo, são crianças tão assertivas, tão seguras, por terem argumentos suficientes para pautar as próprias escolhas", conta ela.

Além disso, é importante ter senso crítico para questionar tudo aquilo que vem disfarçado como hábito, e isso não vale apenas para as crianças, mas para todos nós. Podemos viver por longos anos de acordo com hábitos pré-estabelecidos e já cristalizados na sociedade, mas para quebrar este ciclo precisa-se apenas se dar conta de que o poder de mudar tudo reside em cada um de nós.

Daniele afirma que ir contra o discurso hegemônico é trabalhoso, mas obriga as pessoas a saírem do senso comum, já que força o pensamento e incentiva a criação de alternativas na vida. "Deparei-me com discursos tão revolucionários, com pessoas dispostas a repensar a nossa forma de ver o mundo, como propõe o Movimento Infância Livre de Consumismo, do qual tenho a honra de fazer parte", relata.

E toda sua transformação pessoal foi possibilitada e incentivada graças às trocas de experiências proporcionadas pela "blogosfera". Ela viu nas escolhas conscientes uma forma de se amadurecer, ganhar poder de escolha e força diante das imposições sociais. "No começo, a luz do esclarecimento pode ser bastante dolorosa, mas depois me senti livre e percebi que o que nos acorrenta é invisível", diz Daniele.

E que tal você também assumir uma vida mais consciente, simples e menos influenciada pelo consumismo exagerado e a rotina massacrante? Dê valor aos seus filhos e sua família, viva, de fato, com eles, pratique o diálogo e, principalmente, a escuta. Afinal, luxo não é ter os aparelhos de última geração, mas uma família unida e feliz todos os dias.


Juliany Bernardo (MBPress)

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