Oniomania

Saiba mais sobre a compulsão por compras

Oniomania

Foto: Reprodução/TV Globo

Além de colocar em evidência o tráfico de pessoas, Glória Perez, autora da novela Salve Jorge da rede Globo, também tem exposto outro problema pouco discutido pela sociedade, como a compulsão por compras. O transtorno é abordado por meio da delegada Helô, personagem interpretada pela atriz Giovanna Antonelli.

Segundo Marisa de Abreu, psicóloga clínica, oniomania é o termo usado para designar a necessidade compulsiva de comprar. "Este termo não consta do DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), listagem internacional das doenças psicológicas, nem é tão conhecido, mas define o comportamento das pessoas que sentem impulsos incontroláveis de comprar mesmo que não precisem, não tenham onde guardar ou ainda não possuam dinheiro para pagar", detalha.

No entanto, como se sabe quando as compras passam de uma simples extravagância para uma enfermidade que, portanto, deve ser tratada? A especialista diz que o limite é representado pelo prejuízo que esse comportamento causa na vida do comprador compulsivo. "Ou seja, assim que iniciar danos em qualquer esfera, pessoal, social, financeira ou qualquer outra, trata-se de uma doença", explica Marisa.

Ainda de acordo com ela, é um transtorno mais comum entre pessoas do sexo feminino. "As mulheres são ‘coletoras’ desde a era das cavernas. Elas têm um papel social e até genético que as definem como sendo aquelas que buscam elementos necessários para suprir a família e os levar para casa. Até hoje, no mundo moderno, as mulheres normalmente são as responsáveis pela compra dos alimentos e das roupas das crianças, além de acompanharem os maridos em suas compras pessoais. Talvez seja esse papel que facilite, dando certa ‘autorização’ para irem às compras", relata.

A psicóloga clínica afirma que essa relação com "o comprar" pode surgir por um acaso em pessoas que apresentam tendência a comportamentos compulsivos. As oportunidades que têm para desenvolver a compulsão claro que também ajudam. É um ato em que a pessoa busca o prazer. "Este prazer pode ser usado para suprir carências afetivas ou emocionais de forma geral. Quando a repetição do comportamento se instala, inicia-se a compulsão", adiciona a especialista.

Os sinais que apontam para o desenvolvimento do transtorno são: comprar o que não precisa e mentir para si mesmo, dizendo que a compra foi muito necessária, normalmente, usando argumentos pouco racionais. Segundo Marisa, a pessoa pode querer adquirir tudo o que vê pela frente. "Mas em minha experiência clínica, percebi que as pessoas escolhem objetos específicos. Há compradoras de anéis, de livros e de sapatos. Ou a compulsão está em um grupo de objetos, por exemplo, roupas e acessórios. A ‘escolha’ do tipo de produto dependerá do prazer que se obteve em compras anteriores", completa.

Assim que a doença é identificada, deve-se buscar tratamento. "A psicoterapia pode ter ótimos resultados. O psicólogo investigará qual o significado do ato de comprar e dos objetos adquiridos. Poderá também estudar o histórico da paciente para identificar quais fatores a fizeram valorizar as compras como elemento de satisfação psicológica. Ele a ajudará a identificar novas fontes de prazer. Talvez essa pessoa precise aprender a ser mais assertiva e se colocar de forma afirmativa para que não se sinta em necessidade emocional, que tente suprir com compras inúteis", finaliza a psicóloga clínica.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

Comente

Últimas