Pânico: o controle sumiu

Pânico o controle sumiu

O pânico é definido como um distúrbio psicossomático, cujo principal sintoma é um medo irracional.

Esse sintoma é uma preparação do corpo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe, podendo apresentar:

1) contração e tensão muscular;

2) palpitações (o coração dispara);

3) tontura, náusea, atordoamento;

4) dificuldade para respirar e boca seca;

5) calafrios ou ondas de calor, sudorese;

6) sensação de estar sonhando ou distorções de percepção da realidade;

7) terror, sensação de que algo terrível está prestes a acontecer;

8) confusão;

9) medo de perder o controle;

10) medo de morrer.

As crises de transtorno do pânico eram atribuídas ao desequilíbrio psicológico ou ao nervosismo. Hoje se sabe que o pânico resulta da hiperatividade do cérebro para produzir respostas imediatas ao perigo iminente. A serotonina e a noradrenalina são neurotransmissores que, em desequilíbrio, fazem o cérebro transmitir informações e comandos incorretos.

Atualmente, de 2 a 4 % da população mundial sofrem desse mal, que acomete mais mulheres do que homens, na proporção de 3 para 1. Atribui-se essa freqüência maior no sexo feminino à flutuação hormonal, visto que a incidência de pânico aumenta na fase fértil da vida. São pessoas jovens, na faixa dos 20 aos 40 anos, e na plenitude de suas vidas. A doença pode também ocorrer em homens, com evolução e sintomas semelhantes aos das mulheres.

Geralmente, a partir da primeira crise, ocorrem outras, de duas a quatro vezes por semana, que surgem e passam. A partir de então, diversas conseqüências começam a se manifestar. A pessoa sofre durante as crises, e mais ainda nos intervalos entre uma crise e outra, pois não consegue prever se elas ocorrerão novamente dali a dois minutos, dois dias ou dois meses.

Essa situação deixa a pessoa insegura, afetando diretamente sua qualidade de vida. As atividades cotidianas, como dirigir veículo, fazer compras, andar de elevador, de ônibus, metrô ou avião, ou ainda ficar sozinha em casa, podem ser prejudicadas.

É comum a pessoa desenvolver medos irracionais nessas situações e começar a evitá-las, desenvolvendo uma segunda doença, a agorafobia. A agorafobia é uma fobia provocada pelo pânico não tratado, que se caracteriza pela tentativa de fugir de situações em que uma crise de pânico possa ocorrer.

Uma vez estabelecida, a agorafobia não desaparece sem tratamento, persistindo até a idade madura. A maioria das pessoas desenvolve rapidamente algum tipo de limitação. Por exemplo: só vão trabalhar se puderem passar sempre pelo mesmo caminho.

O uso exagerado de medicamentos como corticóides e anfetaminas, ou o consumo de drogas como cocaína e ecstasy, podem provocar crises de pânico em pessoas com propensão à doença.

O hipertireoidismo também pode provocar sintomas semelhantes aos das crises de pânico. Esses fatores são considerados causas secundárias desse transtorno e devem ser pesquisados ao se fazer um diagnóstico.

O tratamento combina medicamentos antidepressivos e terapia. A melhora só é sentida duas ou três semanas depois de iniciado o tratamento. Nas primeiras 48 horas, os medicamentos costumam piorar as crises, o que faz muitas pessoas desistirem.

Assim, é muito importante o apoio e a conscientização da família sobre a natureza da doença. Muitas vezes, por incompreensão, a família considera a pessoa com transtorno de pânico como se ela tivesse uma personalidade fraca.

As atividades normais devem ser incentivadas com paciência, demonstrando compreensão para o problema. Ficar só em casa não ajuda em nada. A síndrome do pânico não é loucura nem fraqueza de caráter e deve ser tratada para a pessoa voltar a ter tranqüilidade, autoconfiança e bem estar.

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