Por que as resoluções de ano novo não funcionam?

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Por que as resoluções de ano novo não funcionam

Cada ano que se aproxima do final nos leva à prática de um antigo ritual, as famosas resoluções de final de ano. Na semana entre o Natal e o Ano Novo nós fazemos sérias considerações sobre como ser uma pessoa melhor e tratamos de fazer algumas anotações. Se somos realmente pessoas sérias, produzimos uma longa lista de coisas a serem realizadas no ano seguinte.

O processo mental por trás desse fenômeno parece funcionar assim: o dia de Ano Novo não só dá início a um novo calendário, como também nos faz lembrar da importância dos novos começos.

O nascimento de uma criança, o primeiro automóvel, a paixão intensa de um novo relacionamento - tudo isso insufla em nós uma corrente de ar fresco. Começos vêm sempre acompanhados de uma grande variedade de emoções. Está sempre presente um elemento de excitação e de surpresa. O desconhecido envolve um certo aspecto de mistério. Na novidade há também um toque de medo e de apreensão. É como navegar por mares nunca d'antes navegados...

São muitos os que fazem propósitos de Ano Novo. Prometem a si mesmos que esse ano será diferente. Eu realmente vou começar a economizar para a minha aposentadoria. Eu realmente vou perder peso e vou manter a forma. Eu vou ficar mais tempo com a minha família. Eu vou tirar trinta dias de férias. Eu vou pagar todas as minhas dívidas. Eu vou... E, é lógico, tudo isso é psicologicamente direcionado com muitíssimo prazer no primeiro dia do Ano Novo. Mas, ah, como se acaba facilmente todo esse fervor!

Você tenta avaliar o que realizou no ano que passou e é obrigado a enxergar a dura realidade. O tempo passou e você, mais uma vez, desperdiçou as oportunidades que lhe foram dadas para encontrar a sua felicidade. Compromissos e mais compromissos lhe trazem uma carga de responsabilidade que você havia subestimado.

Na contabilidade de suas ações, encontra uma série de atividades rotineiras e que expressa uma dimensão puramente quantitativa de sua vida: trabalhou tantos dias, dormiu tantas horas, foi tantas vezes a tal lugar, foi promovido, foi tantas vezes à igreja, poupou tanto...

Mas difícil é verificar que os filhos cresceram e você não teve tempo para acompanhá-los em sua vida. Estava muito ocupado com sua carreira e agora tudo é mais difícil, pois eles também não têm tempo para você. Orientados por seus sonhos, buscam seus momentos de alegria que se afastam dos seus. E você vê neles o você de ontem. Adiou mais uma vez aquele plano, pois lhe pareceu egoísmo demais pensar em você. O que os outros iriam pensar se, de repente, o "pegassem" pensando em sua própria felicidade. Quanto egoísmo, não é?

Viu companheiros sendo promovidos enquanto amargava a estagnação, pois não teve tempo (ou interesse?) para se desenvolver. E lá se vão mais sonhos para povoar o fundo do baú. Na hora em que você deitar sua cabeça no travesseiro, eles o cobrarão, bem despertos. Afinal, eles só existem porque você existe. E só existem para você. As horas que você perdeu ontem não retornarão jamais. São como os raios de sol que bafejam na sua face por breves instantes e depois se recolhem por trás dos montes levando com eles a seiva da vida.

Entre o quantitativo e o qualitativo, a pessoa influenciada pelas resoluções de Ano Novo só se lembra do fazer e não do ser. Leva a vida como uma incessante repetição de atividades rotineiras pelos seus papéis: pai, mãe, executivo, filho, aluno, professor...

Acorda no mesmo horário todos os dias, veste o seu traje padronizado, marca a sua presença no local de trabalho como autômato pré-programado. Sai percorrendo os mesmos roteiros: janta, lê (quando lê), assiste à televisão, dorme e acorda no mesmo horário... Tudo certinho! À sua volta, as oportunidades afloram e são negligenciadas. Você diz: - A partir de agora, será diferente. - Vou... Planos, planos, planos... O que lhe falta?

Por que estas resoluções tão positivas não se convertem em mudanças efetivas? A felicidade não é gerada por um ano, ela é gerada por homens e mulheres. A vida não muda com a virada de uma folha do calendário. A única maneira de mudarmos a vida é mudarmos a nós mesmos. Por que você desiste antes mesmo de ter dado os primeiros passos?

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