Quanto riso, quanta alegria...

Quanto riso quanta alegria

... Mais de mil palhaços no salão... Sem querer ser saudosista, mas que saudades que dá as consagradas marchinhas de Carnaval! Elas tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Depois deles, muito foi produzido, pouco aproveitado. Algo que perdura até os nossos tempos: muita quantidade, pouca qualidade. Nomes como Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Cartola e Carmen Miranda, os grandes cantores da época, que jamais serão esquecidos, gravaram marchinhas e com elas venceram muitos Carnavais.

Os principais compositores, que escreveram aclamadas músicas de festa, foram Noel Rosa, Lamartine Babo, Ary Barroso, João de Barro (pseudônimo de Braguinha) que gravou As Pastorinhas. Como era mesmo? "E as pastorinhas, pra consolo da lua, vão cantando na rua, lindos versos de amor. Linda pastora, morena, da cor de Madalena, tu não tens pena...". Também seria impossível não lembrar de O Teu Cabelo Não Nega, dos Irmãos Valença e de Lamartine Babo, de 1932. Vamos, cante um pedacinho: "O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor, mas como a cor não pega, mulata, eu quero o teu amor..."

E Mamãe Eu Quero, de Jararaca e Vicente Paiva, de 1937, quem não cantou essa música? "Mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar. Me dá chupeta, dá chupeta pro neném não chorar..." E a clássica Máscara Negra, já mais nova, gravada em 1967 por um dos maiores compositores de sambas e marchinhas, Zé Kéti, quem nunca cantou?

Quantas lembranças! Quanta coisa boa foi feita para que as pessoas pudessem se fantasiar e irem para as ruas ou salões e apenas divertirem-se. Que diferença de hoje, onde a violência toma conta e a fantasia na maior parte das vezes é o próprio corpo. E quanto mais o tempo passa, com raríssimas exceções, as mulheres continuam se expondo muito mais que os homens. Cada um tem o direito de explorar seu próprio corpo da forma que for mais conveniente, mas isso reflete o quanto o externo ainda é super valorizado, dando audiência, Ibope, esquecendo-se muitas vezes que, conforme o tempo passa, outros valores deveriam, pelo menos é o que se espera, se sobrepor.

Mesmo assim, através dos tempos, o Carnaval ainda é uma das maiores manifestações culturais do povo brasileiro. Mas, afinal, de onde veio essa festa popular? Sabe-se que muito antes de chegar ao Brasil, o Carnaval já existia. Uns dizem que veio da África, outros da Europa, através das festas tradicionais de Portugal. Suas origens se perdem no tempo. Há a possibilidade do Carnaval ter surgido ainda antes de Cristo, mas a maioria dos autores o dá como surgido nas orgias do Egito e da Grécia, ou nos bacanais de Roma, realizadas em dezembro.

Nesta época parece que tudo se torna permitido: sexo, drogas, álcool, nudez. Alguns se permitem exteriorizar as emoções e encontrar alívio das tensões cantando, gritando, seduzindo, liberando assim comportamentos até então proibidos. Esses momentos divididos coletivamente parecem garantir uma espécie de anonimato, que permite à pessoa ser, pensar ou fazer o que deseja, sem medos ou risco de censura ou punição. Sem dúvida, essa liberação do plano da fantasia para a realidade pode trazer um alívio, porém momentâneo. A busca desenfreada pelo prazer de quatro dias, às vezes, pode acarretar conseqüências para o resto da vida, como acidentes, brigas, suicídios, overdose, contágio de doenças, morte. Por isso, se for sair, cuidado e previna-se!

Lembre-se que não é necessária uma época específica do ano para divertir-se e extravasar todas as frustrações acumuladas no decorrer da vida, pois tudo isso pode ser feito de diversas formas todos os dias, sem ser preciso esperar pelo próximo Carnaval. E, para relembrar, segue abaixo a letra da música Máscara Negra, onde o amor ainda sobrepunha-se ao corpo.

"Máscara negra"

Quanto riso

Ó! Quanta alegria

Mais de mil palhaços no salão

O Arlequim está chorando

Pelo amor da Colombina

No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez

Tá fazendo um ano

Foi no Carnaval que passou

Eu sou aquele Pierrô, que lhe abraçou

Que lhe beijou, meu amor

A mesma máscara negra

Que esconde meu rosto

Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora

Não me leve a mal

Pois é Carnaval

Comente

Últimas