Sozinho ou abandonado?

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Sozinho ou abandonado

"A solidão é fera, a solidão devora/ É amiga da noite, prima-irmã do tempo/ E faz nossos relógios caminharem lentos/Causando descompasso no coração..."

Alceu Valença

O que significa estar só? A solidão é o sentimento de não ser valorizado, de estar separado dos outros, isolado, abandonado ou até mesmo banido dos relacionamentos com as outras pessoas. É sentir-se solitário mesmo numa sala cheia de gente.

Este é um dos sentimentos mais dolorosos que uma pessoa pode ter. É aquele que toda pessoa tenta evitar a todo custo. Aqueles que passaram algum tempo em confinamento solitário consideram-no como uma das piores formas de punição. Eles dizem, por exemplo: "Não suporto a solidão. As paredes parecem me sufocar. Os dias parecem não ter fim".

"Mesmo quando estou em meio a uma multidão, tenho esta forte sensação de estar sozinho, de que ninguém, realmente, nota minha presença. É quase como se eu fosse invisível. Sinto-me como se estivesse agitando os braços em um nevoeiro, mas, ao invés de contatar alguém, a névoa fica mais densa."

A palavra "solitário" soa pesarosa e lúgubre. É fria como a terra abandonada pelos pássaros e pelas flores no inverno.

Os solitários encaram a solidão como um sinal de falha nos relacionamentos e de inadequação, porque as pessoas nascem para se relacionar. Por causa disso, os solitários às vezes sentem vergonha por estarem sozinhos. Por que vergonha?

O interessante livro Por que tenho medo de contar-lhe quem sou?, de John Powell, nos dá a resposta: se eu lhe contar quem sou, é possível que você não goste de mim, e isso é tudo o que tenho! Portanto, vivemos com o medo da rejeição, trancados em castelos solitários que construímos com os tijolos da autoproteção.

Às vezes, a razão de você se sentir sozinho pode estar relacionada ao tipo de pessoas com as quais você se relaciona. É possível que você esteja envolvido em relacionamentos com pessoas que exijam mais do que dão. Se este é o caso, talvez seja o momento de reavaliar suas escolhas com relação aos amigos. Qualquer pessoa seria melhor que nenhuma pessoa?

Leva tempo para construir uma amizade. Elas não acontecem de repente. Nunca devem ser tomadas como certas. As melhores amizades são as que demoram uma vida para construir e, consequentemente, duram a vida toda!

Pergunte-se hoje: "que tipo de amigo(a) eu realmente gostaria de ter?" Faça uma lista de peculiaridades que gostaria de identificar em tal pessoa. Sua lista pode incluir algumas destas características:

  • Alguém com quem possa rir;
  • Alguém com quem possa se divertir;
  • Alguém que realmente compreenda o que você está passando;
  • Alguém com quem possa compartilhar segredos;
  • Alguém em quem possa confiar;
  • Depois de fazer a lista, faça a si mesmo uma importante pergunta: "estou disposto a ser esse tipo de amigo?"

    Você está disposto a errar ou permitir que a outra pessoa cometa equívocos? Está apto a ser vulnerável?

    Para ter um (a) amigo (a) você precisa ser amigo (a). Provavelmente, nem todas as pessoas com quem tentar ter uma amizade serão amigos chegados. Às vezes, as personalidades não são compatíveis como você esperava originalmente. Talvez elas apenas não tenham interesse em comum.

    De qualquer forma, a menos que corra alguns riscos e faça algumas tentativas de formar uma amizade, você nunca saberá quem poderá ou não tornar-se seu amigo!

    Você está sozinho? Quem sabe disso? Talvez seja a hora de dizer: "eu não preciso ficar sozinho. Vou atrás de outras pessoas".

    Enquanto não as encontra não se sinta abandonado. Lembre-se: Você não é um estrangeiro num universo assustador. Não é uma doença que se arrasta como um pequeno ponto diante do vazio imensurável do espaço. Não é um inseto sem nome, esperando ser pisoteado por um sapato qualquer. Não é um transgressor curvando-se de medo diante do brilho de uma divindade irada.

    Você é um ser humano amado pelo próprio Deus. É verdade. As pessoas poderão rejeitar você. Mas nosso conforto e esperança é que Deus nunca fará isso. Sozinho talvez, abandonado nunca.

    Sugestão para leitura:

    Azevedo, Regina

    Prazer em conhecer-se

    São Paulo - Editora Outras Palavras 1997

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