Superando o preconceito

Superando o preconceito

O dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define a palavra preconceito como sendo "conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos"

Durante muitos anos a obesidade foi vista como resultado apenas da falta de motivação para perder peso, ou seja, do caráter fraco do obeso. Ainda existe esse preconceito, porém essa visão está se modificando, e hoje se sabe que a obesidade é uma doença crônica, de causa multifatorial, incluindo aspectos genéticos, endócrinos, ambientais e psicológicos.

A hereditariedade faz com que algumas crianças tenham maior propensão para a obesidade. Fisiologicamente, há duas maneiras de ganhar peso. Pode-se acumular mais células de gordura, ou, então, preencher as células já existentes. O número básico de células de gordura se estabelece na infância, no primeiro e segundo anos de vida, e posteriormente na adolescência. Assim, o ganho de peso se dá através do aumento do tamanho das células já existentes.

Em casos mais raros, doenças sérias também podem provocar a obesidade. A criança e o adulto com maior número de células de gordura têm maior probabilidade de se tornarem obesos. Fatores hereditários e padrões alimentares na infância podem se combinar para determinar o número de células de gordura que a criança terá, e isto mudará muito pouco no decorrer de sua vida. Entretanto, os genes não sentenciam a pessoa. Hábitos alimentares saudáveis, associados à prática de exercícios físicos constantes, podem prevenir a obesidade na infância e na vida adulta.

A valorização estética socialmente aceita, tem papel de destaque na apreciação, positiva ou negativa, que cada um faz ou do próprio corpo. As pessoas obesas são consideradas desprovidas de auto-controle, culpadas pela gula, pela preguiça e responsáveis pelo seu tamanho corporal.

Muitas vezes esses rótulos acabam sendo internalizados e incorporados à personalidade do obeso, contribuindo para a manutenção do quadro de obesidade. Ocorre evidente discriminação na vida acadêmica e profissional, com prejuízo para a vida social e afetiva em conseqüência do estigma e do preconceito contra a pessoa obesa. Essa situação aumenta o risco de quadros de depressão, ansiedade e transtornos alimentares, que prejudicam o emagrecimento.

Freqüentemente, o obeso não é visto como doente pelas pessoas com as quais convive, por alguns profissionais e nem por si mesmo. É considerado como alguém que está nessa condição por absoluta falta de capacidade individual de mudar. Apenas a conscientização dos preconceitos a que o obeso está sujeito no dia-a-dia pode ser insuficiente para recuperar seu equilíbrio emocional. Muitas vezes é necessária a orientação de um terapeuta para direcionar uma mudança na estrutura corporal e no próprio comportamento. Esse processo poderá ser longo, pois emagrecer é diferente de desengordar. Mas todo esse esforço poderá trazer de volta a felicidade que você merece!

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