Terapia em grupo

Partilhar seus problemas pode trazer mais benefícios do que você imagina

Terapia em grupo

Quando se fala em reuniões com psicólogos, as chamadas terapias em grupo, logo vem à nossa cabeça grupos semelhantes ao dos Alcoólicos Anônimos ou das Mulheres que Amam Demais. Porém, esse método pode ser usado para solucionar os mais diferentes problemas e, em certos casos, os participantes nem precisam enfrentar dificuldades semelhantes.

Conforme explica a Dra. Olga Tessari, psicóloga e escritora, na terapia em grupo as pessoas compartilham problemas, trocam ideias e experiências e aprendem novas formas de viver e de resolver seus conflitos. O psicólogo funciona como um mediador que aponta caminhos e faz questionamentos, dá a palavra e colabora para que todos possam falar, caso queiram.

Os grupos costumam ter entre quatro e cinco pessoas no mínimo, mas cada profissional estabelece o seu limite. As sessões duram em média 1h30, uma vez por semana, por pelo menos três meses seguidos. "Esse é o período para se perceber resultados, mas, em alguns casos, o tempo pode ser muito maior", explica a psicóloga. A maioria absoluta dos participantes não tem condições de pagar um tratamento individual. Quando a condição financeira melhora, grande parte delas migra para o tratamento individual.

Os problemas tratados na sessão podem ou não ser semelhantes. Isso quem decide é o profissional que irá mediar. Podem ser formados grupos com pessoas ansiosas, depressivas, com medo de dirigir, com baixa autoestima, timidez ou que queiram discutir a educação dos filhos. Há ainda grupos formados por casais que falam sobre o relacionamento.

Dra. Olga pensa que um grupo misto tem suas vantagens. Para ela a diversidade de questões enriquece o trabalho e a experiência de todos no grupo. "Ouvir alguém com um problema diferente pode ajudar a pessoa a enxergar a real dimensão de seu próprio problema ou até perceber que este não é tão gigantesco como ela imaginava, que existem outros problemas muito piores que o seu."

Geralmente os participantes de terapias em grupo são pessoas mais extrovertidas, que não se importam com a exposição, gostam de falar e de compartilhar. Ao mesmo tempo, a psicóloga lembra que as pessoas introvertidas aprendem muito ao ouvir e conviver com outros. "Ninguém é obrigado a falar. Por ser em grupo, as pessoas têm a falsa ideia de que não serão ouvidas ou não terão espaço para falar. Nos meus grupos, se não falam, é porque não querem ou porque aprendem ouvindo o relato dos demais", comenta.

Não é feito um diagnóstico individual, mas, se for necessário, chama-se a pessoa para uma conversa individual, sem o conhecimento do grupo, de forma que ela não se sinta constrangida. "Creio que, por ser algo dinâmico, no qual várias experiências são relatadas em pouco tempo, o resultado em grupo pode ser mais rápido do que na terapia individual, mas isso depende também de cada pessoa", finaliza Dra. Olga.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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