"Transformei as cinzas do meu marido em diamante"

Lidar com a morte não é tarefa fácil. Cada um sabe bem onde a falta aperta e nem sempre a vida após a perda de um ente querido é completamente superada. As formas de despedida são diversas e o tratamento dado ao corpo também é variado. Há quem prefira manter o familiar no jazigo ou quem opte pela cremação. De qualquer maneira, o que se espera é ter algo ou um lugar que sirva de conforto para quando a saudade bate mais forte.

Em Curitiba, no início de julho, a viúva Leroy da Silva, 73 anos, resolveu transformar as cinzas do marido, morto em 1994 por complicações cardíacas, num diamante. Tudo porque ela sabe bem: um diamante dura para sempre. Tanto a cerimônia de cremação, realizada depois da exumação do corpo, quanto o pedido de confecção do diamante, foram realizados pela Funerária e Crematório Vaticano, que oferece esse serviço desde novembro de ano passado. A cremação foi feita 14 anos depois da morte de Jorge porque a Leroy não queria mais que o corpo ficasse no túmulo.

Dos cerca de dois quilos de cinzas extraídos dos ossos do ex-militar na cremação, 500 gramas foram utilizadas na produção da joia - o restante ficou nas mãos de dona Leroy. A empresa suíça Algordanza, responsável pela confecção do diamante, preparou uma pedra de 0,25 quilates (com cerca de 4 milímetros ou o tamanho de uma ervilha). O instituto gemológico suíço emitiu ainda um certificado para garantir à família que aqueles realmente são os restos mortais de Jorge.

A cor da pedra vai depender das características do corpo de cada um, podendo variar entre o branco e o azulado. E o formato também pode ser escolhido, a partir de cinco tipos de cortes (brilhante, esmeralda, asscher, princesa e o radiante).

No laboratório suíço, as cinzas são submetidas a sessões de alta pressão e temperaturas de até 1.500 ºC, por até três meses. O valor da fabricação das pedras preciosas varia de R$ 12.677 (0,25 quilates) a R$ 52.330 (1 quilate).

Nem mesmo o valor elevado fez a pensionista Leroy desistir da ideia. "No começo, quando o corpo está enterrado, todos visitam. Depois o lugar vai ficando abandonado. Queria fazer alguma coisa para que o velho ficasse perto da gente. Aí mandei cremar o corpo e fazer o diamante", explicou. Agora, ela vai entregar a joia à filha. "Não preciso do diamante para lembrar do velho, porque ele está sempre perto de mim".

Este foi o primeiro diamante de cinzas humanas do Brasil. Em 2005, um maestro alemão que morava aqui também teve suas cinzas transformadas em diamante, mas tudo indica que o processo tenha sido realizado diretamente na Suíça. Segundo dados da Funerária Vaticano, pelo menos 10 famílias procuram informações sobre o processo por mês. Para quem se interessar, é bom saber que não há tempo limite para transformar as cinzas em diamante. "Você pode tê-las guardadas por anos que, ainda assim, é possível transformá-las", informa a funerária.

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