Tweens: uma nova geração de crianças

Tweens uma nova geração de crianças

O termo tween foi criado para caracterizar meninos e meninas de 8 a 14 anos: uma mistura de teens (adolescente, em inglês) e between (no meio de).

Essa turma entre a infância e a puberdade cresce num mundo bem diferente daquele dos pais - as fotos do nascimento, por exemplo, não estão reunidas em álbuns, mas em sites e blogs.

Essa turma pode não ter ainda muita altura, mas apresenta grande interesse para a indústria.

É uma geração única, que tem mais acesso a informação do que os pais.

Não quer apenas consumir. Os tweens são exigentes e sabem o que querem.

Por causa das novas tecnologias de comunicação, conseguem se concentrar em mais de cinco canais de informação simultâneos - TV, internet, música, messenger, videogames etc. -, enquanto os pais não conseguem dar conta de dois.

Uma pesquisa constatou que os tweens gastam em torno de R$ 2 trilhões em todo o mundo. Como influenciam os gastos dos pais, esse valor pode chegar a inimagináveis R$ 350 trilhões.

Uma criança de 3 anos já consegue reconhecer marcas, as de 2 anos podem ser influenciadas na questão da lealdade a uma marca, e todo ano são expostas a 30 mil anúncios. Assim, possuem um poder de escolha muito maior do que as crianças do passado. São eles que definem a compra de jogos e brinquedos, escolhem a marca do tênis e também das roupas que desejam vestir. Aos pais, obviamente, cabe pagar as contas.

As confecções brigam para atingir esse filão. São grandes marcas como Nike, Adidas e Puma, e não apenas a Pakalolo de antigamente, que disputam suas vendas. A Louis Vuiton, por exemplo, vende cada vez mais bolsas para os tweens. As mães que se cuidem!

As empresas de telefonia celular também faturam milhões só com os torpedos que a meninada envia. Esse mercado não tem limites e a tendência é aumentar. É comum que aos 7 anos as crianças já possuam seu próprio celular. Aos 11 anos já definiram suas lojas de roupas favoritas, suas bandas e cantores, e não deixam de lado apetrechos tecnológicos como o iPod.

Falam uma língua estranha: gosto de Hannah Montana, Lizzie Mc Guire, Vanessa Hudgens, High School, destacando programas e artistas americanos que vêm fazendo sucesso no Brasil.

É também nessa idade que começam a colocar as asas de fora, circulando em matinês de clubes, cinemas e shoppings, sem a presença dos pais. Claro, sempre acompanhados de amiguinhos da mesma idade.

Os meninos e meninas de 8 a 14 anos se consideram muito velhos para serem crianças e muito jovens para serem adolescentes. Nessa faixa etária, Barbie e Polly perdem o lugar cativo na prateleira do quarto das meninas para os vidrinhos de perfumes.

Não são apenas um rótulo, mas um fenômeno cultural. Muitas marcas e empresas de consultoria encontram dificuldade para entender o que os tweens querem.

O grande lance é prever o que esses consumidores desejarão quando forem adultos. Se até as empresas de consultoria possuem dificuldades para lidar com os tweens, os pais precisam ser cada vez mais equilibrados para transmitir educação e limites num clima amistoso.

O velho diálogo continua sendo uma peça fundamental para adaptar a realidade de cada família aos novos tempos e às novas exigências da sociedade. Pais atentos e envolvidos com as atividades dos filhos são capazes de perceber e corrigir possíveis exageros e distorções que podem trazer prejuízo à formação da criança.

O sentimento de culpa, tão comum a pais atarefados, não ocorrerá quando o amor e a dedicação estiverem presentes na educação da criança. O ideal é que a educação recebida dos pais seja uma referência para os filhos por toda a vida.

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