"Venci o câncer de mama, mesmo grávida!"

Conheça a comovente história da médica Simone Calixto

Venci o câncer de mama mesmo grávida

Foto: Arquivo Pessoal

Neste mês dedicado à campanha de conscientização do câncer de mama, o MaisEquilíbrio não quis ficar de fora e decidiu contar a história da médica Simone Calixto, de 41 anos, uma mulher corajosa que levou adiante uma gravidez mesmo sabendo que estava com câncer de mama.

Simone morava no Canadá com o esposo e a filha, Amanda, de três anos. Em 2011, veio ao Brasil com a filha para visitar a família, acompanhar o parto da irmã e refazer seus exames ginecológicos. A mamografia não deu alterações. Em outro exame, Simone foi diagnosticada com endometriose e passou a tomar anticoncepcional para parar de menstruar.

Após passar dois meses no Brasil, voltou para o Canadá em outubro e, um mês depois, Simone fez o autoexame e notou um nódulo na mama esquerda. "Por ser ginecologista, resolvi no mesmo dia suspender o uso do anticoncepcional e esperei que a menstruação viesse para então procurar um mastologista. Após passar nove dias sem menstruar e percebendo alguns sintomas, resolvi fazer um teste de gravidez. E para minha surpresa, e imensa alegria, descobri que estava grávida de Melissa", conta.

O nódulo, devido os efeitos hormonais das primeiras semanas de gestação, confundiu a palpação durante o exame clínico. A obstetra de Simone achou que fosse efeito do curso da gravidez. Mas com 12 semanas de gestação, após biópsias, o diagnóstico de câncer de mama se confirmou. No Canadá, Simone foi informada de que haveria tratamento para ela apenas se fosse realizado o aborto terapêutico. Mas interromper a gestação não estava nos planos da médica.

"Refletia como Deus havia permitido eu engravidar nas circunstâncias improváveis e só podia acreditar que existia algum propósito nisso tudo, um desígnio que escapa ao nosso entendimento, mas que existe". Ao procurar ajuda, Simone encontrou na internet o Dr. Waldemir Rezende no Brasil, através de uma entrevista em vídeo de uma mãe que havia passado por uma história semelhante. Ela contatou o médico e ele aceitou fazer a quimioterapia sem a necessidade de aborto. Assim, a médica fez as malas e voltou para o Brasil.

A mulher que apareceu no vídeo, Marcia Silva Barros, se tornou amiga de Simone. "Dr. Waldemir me passou o telefone dela. Vivemos muitos momentos juntas, inesquecíveis, pois ela era uma pessoa maravilhosa. Tenho fotos e filmagens com ela, com a família dela na minha casa, no aniversário da minha filha... Infelizmente em julho, há três meses, ela partiu. Meu Deus, como foi triste... deixou um filho de 17 anos e o outro, que enfrentou com o câncer, com cinco anos. Que saudade tenho dela", desabafa.

Luta pela vida

Durante a quimioterapia o bebê de Simone corria riscos. Entre eles de o líquido amniótico ficar diminuído, podendo causar um nascimento prematuro; de o bebê nascer com baixo peso devido à anorexia materna (perda de apetite) por efeito da quimioterapia e o de apresentar baixa imunidade ao nascer se estivesse em curso do efeito da quimioterapia. Mas Dr. Waldemir e Simone foram adiante e, felizmente, Melissa não apresentou nenhum destes efeitos.

Com 15 semanas de gestação (mais ou menos três meses e meio de gravidez) a quimioterapia foi iniciada. De acordo com estudos, a partir desta fase o tratamento é seguro para o bebê. Foram seis ciclos de quimioterapia, com intervalo de 21 dias entre cada sessão. Ao todo foram cerca de quatro meses e meio de procedimentos, considerando o efeito do tempo da última dose.

Nesse período Simone teve anemia severa (por conta da "anemia fisiológica" apresentada pelas gestantes) e pela insuficiência medular, causada pela quimioterapia. Por conta disso, a médica precisou receber três bolsas de sangue. "Apresentei também outros sintomas comuns de um paciente fora da gestação, como queda do cabelo (alopecia), perda de apetite e diminuição da imunidade. Até minha fisionomia mudou, pelos efeitos da quimioterapia", lembra.

Para recuperar a imunidade de Simone e Melissa, a quimioterapia foi interrompida na 32ª semana de gestação. Só que, após 21 dias (intervalo entre uma quimioterapia e outra), o tumor que tanto havia regredido foi reativado. Por isso, o parto teve que ser antecipado. Melissa nasceu no mesmo dia que o tumor foi retirado, através da mastectomia. Hoje Melissa tem um ano e quatro meses e até agora não apresentou alterações no seu desenvolvimento.

"Jamais me esquecerei das palavras encorajadoras que recebi, das orações, olhares acolhedores, do carinho. Ver a Melissa ao nascimento foi uma cena sublime, inebriante. No silêncio da noite eu me pego olhando a minha filha respirando, ouvindo a vida dela no ar. Ela certamente é uma prova para mim de que Deus existe", diz. "Também sou muito grata ao Dr. Waldemir Rezende, o médico que salvou a vida da minha filha e a minha. Vejo-o como instrumento de Deus mesmo, um anjo, até hoje ele me acompanha sempre torcendo por mim".


Juliana Falcão (MBPress)

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