Você engole sua raiva?

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Você engole sua raiva

A maneira como nos tratamos muitas vezes tem raízes, e como tais, podem ser muito mais profundas do que sequer imaginamos.

As razões podem ser muitas e se não forem por disfunções orgânicas, hormonais, ou sejam, se não forem encontradas causas orgânicas, podem ser emocionais. Você já deve ter se perguntado infinitas vezes qual o motivo para comer em excesso, o por quê da falta de controle.

Mas, diante de tantas respostas ficou sem nenhuma, pois não consegue mudar, não é mesmo? Sabemos que temos em nossa mente conteúdos conscientes e inconscientes, e este último é responsável por 95% das nossas ações. Assim sendo, não há como ignorar o quanto somos influenciados por aspectos que nem temos consciência.

Para buscar a origem de qualquer dificuldade, entre elas a da compulsão alimentar, o mais indicado é fazer uma psicoterapia. Mas é possível também a própria pessoa buscar as razões de seus comportamentos, desde que, é claro, esteja disposta a encontrar. Para se tornar consciente do que até então é inconsciente é preciso muita reflexão e uma busca pela verdade.

O conflito sempre surge quando sentimos e fazemos de conta que não estamos sentindo nada, isso em relação a qualquer sentimento, mas em especial com os negativos. Quando negamos e reprimimos algum sentimento é porque nem sempre sabemos como lidar com determinado sentimento, apesar dele continuar dentro de nós.

Assim, surgem os comportamentos que não temos controle, porque quem está no comando é o inconsciente. Por isso muitas pessoas reagem às emoções comendo em excesso e dizem não saber por que se comportam desse modo.

Dentre vários motivos para comer compulsivamente está a raiva, a qual pode ser provocada por diversos fatores como: vergonha, decepção, frustração, desprezo, humilhação. Quem nunca ouviu uma piadinha ou uma crítica pelo excesso de peso e não pode ou não conseguiu responder?

E a dificuldade em comprar uma roupa bonita de acordo com seu peso, quando as que têm em casa não servem mais? Não é para sentir raiva? E as críticas e as cobranças da família, do marido? Claro que sente raiva. E todo aquele sacrifício para eliminar algumas gramas e, ao contar toda feliz você ouve: "mas só isso?".

Como não sentir raiva quando somos humilhadas, desrespeitadas? Mas, como somos ensinadas que não devemos sentí-la. Ou pior ainda, demonstrá-la, então a engolimos e reprimimos para os outros e, principalmente, para nós mesmas.

Sempre que existir o sentimento de impotência, real ou imaginário, para mudar uma situação da qual não consegue se defender nem sair dela é natural sentir raiva. Para conseguir lidar com toda essa situação, engole a raiva comendo. Ao comer mais e mais, passa a se recriminar pela conseqüência: aumento de peso.

Com isso, sente culpa, mas a culpa na verdade não é por comer, mas sim pela raiva que sentiu, negou e também, por ter se permitido passar por alguma situação que a machucou. E o que passa a incomodar não é mais o que fizeram, nem a raiva sentida. Ao ser reprimida, foi tirada da consciência, ficando assim guardada no inconsciente, o que agora aparece como verdadeiro problema é o aumento do peso.

Algumas pessoas também podem somatizar e tornar físico, desenvolvendo gastrite, úlcera, fortes dores no estômago, tudo em conseqüência da raiva e dos demais sentimentos que foram reprimidos.

Outro problema muito comum e gerador de raiva é não saber impor limites, ter dificuldade em dizer a palavrinha mágica: "não!". Pessoas que procuram se mostrar sempre dóceis, simpáticas, sempre disponíveis para os outros, por dentro podem estar remoendo sua raiva por terem feito coisas que não queriam ter feito.

Reprimir a raiva é um modo de se proteger de algo que gostaríamos de evitar. Mas, enquanto a raiva for reprimida e não se buscar a origem, o conflito interno permanece. É preciso entender que o problema não está na compulsão alimentar e, em conseqüência, no excesso de peso, mas sim em qual sentimento está tentando reprimir ao comer.

O que pode estar por trás de tudo isso? Uma enorme necessidade de ser aceita, receber carinho, admiração, reconhecimento, aprovação. Isso se dá porque, em geral, as pessoas não se amam e não acreditam em si mesmas, precisando mostrar o quanto podem ser úteis e, assim, aceitam fazer tudo, ainda que vá contra a vontade delas, aceitam ouvir tudo sem se defenderem com o intuito, inconsciente, de receberem aprovação, reconhecimento, amor.

Algumas dicas que podem te ajudar a identificar ou lidar com sua raiva:

  • Quando estiver com raiva, procure escrever tudo que estiver sentindo, mas tome cuidado para que não seja lido por alguém que você não queira. Depois se quiser, rasgue e jogue fora.
  • Pode também falar tudo que sente em voz alta, como se estivesse falando com a pessoa na sua frente. Ou pode deitar, relaxar e fazer o mesmo mentalmente.
  • Feche as janelas de sua casa ou do seu carro e dê um sonoro grito.
  • Eleve sua auto-estima e autoconfiança respeitando mais seus limites e fazendo todos os dias algo por você.
  • Tudo isso são paliativos, o melhor mesmo é identificar seus sentimentos. Para isso, você poderá ainda fazer o seguinte exercício:

    Quando perceber que vai ter um ataque de compulsão alimentar, desencadeado por irritação, frustração, humilhação, raiva, procure deixar para comer cinco minutos mais tarde ou, se já estiver comendo, pare e reflita. Se quiser, ainda, escreva as respostas:

  • O que estou pensando e sentindo?
  • O que exatamente me deixou com raiva nessa situação?
  • O que eu gostaria de fazer?
  • Quem é responsável pelo quê?
  • Como eu poderia ter agido em determinada situação?
  • O que eu realmente gostaria de mudar?
  • Recebo afeto e atenção e temo que, se mudar meu jeito, impor limites, falar não, vão deixar de gostar de mim?
  • Preciso de aprovação e reconhecimento constantes das pessoas por que na verdade não confio em mim?
  • As respostas não são tão simples, mas, com certeza, estão dentro de você e exigem muita reflexão e o desejo interno de querer mudar. Outro motivo que faz comer em excesso é o medo, assunto da próxima semana.

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