Você se alimenta por compulsão ou por dependência?

Você se alimenta por compulsão ou por dependência

O que leva uma pessoa a consumir diariamente quantidades excessivas de alimento, que vão muito além das necessidades de seu organismo?

Alguns dirão que trata-se de gula ou fraqueza de caráter. Entretanto, hoje sabe-se que a falta de controle sobre o comportamento alimentar pode estar ligada a dificuldades emocionais que levam o indivíduo a estabelecer uma relação de compulsão ou dependência com os alimentos.

Na compulsão há uma alternância entre momentos de total descontrole e momentos de culpa e auto-recriminação. Quando descontrolada, a pessoa come rapidamente até sentir-se cheia e muitas vezes só se dá conta de tudo o que comeu após olhar os pacotes de vazios de bolachas e salgadinhos espalhados pelo chão.

Em seguida surge o sentimento de culpa e cresce a angústia por perceber-se incapaz de controlar o próprio comportamento. Como se nota, na compulsão há o desejo de parar de comer, mas o indivíduo se vê dominado por uma força maior.

A dependência é um processo bastante diferente, pois aqui não há o desejo de parar de comer. O indivíduo ama o alimento e estabelece com ele uma relação de cumplicidade. Neste caso, o alimento funciona como um amigo que acalma e ajuda a aliviar as tensões.

Não há angústia frente ao ato de comer; o que existe é uma preocupação com as conseqüências deste ato: "meu médico diz que eu preciso emagrecer porque meu colesterol vai mal. Eu sei que ele está certo, mas eu amo comer e não tenho vontade de parar", relatou-me certa vez um jovem paciente. Para estas pessoas não é o consumo exagerado do alimento, mas sim a sua ausência que traz infelicidade.

Reconhecer o tipo de relação estabelecida com a comida é o primeiro passo para tratar estes distúrbios do comportamento alimentar. No caso da dependência, é importante que o indivíduo reflita sobre a função emocional que o alimento assume em sua vida. Ele deve buscar tomar conhecimento das necessidades afetivas que são supridas pelo alimento para que, futuramente, possa vir a satisfazê-las de outras formas.

Já na compulsão, a reflexão deve possibilitar ao indivíduo reconhecer a origem do descontrole. Isto ajuda a diminuir o nível de angústia, pois a pessoa se conscientiza do porquê come e pode, assim, rever este comportamento.

Quem busca tratar a obesidade deve estar ciente que este não é um problema puramente emocional. O consumo excessivo de alimentos pode também ser resultado de algum distúrbio orgânico e, neste caso, auxílio médico se faz necessário.

Além disto, nos casos em que o descontrole do comportamento alimentar possui bases psicológicas, a procura de um profissional qualificado é sempre recomendada, pois torna mais eficiente e produtivo o processo de reflexão sobre as causas destes distúrbios e abre possibilidades de solucioná-los.

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