Você se sente incapaz?

Você se sente incapaz

Em maior ou menor intensidade, todos nós já nos sentimos inferiorizados. Nestes momentos tendemos a perceber os outros como uma enorme ameaça a nós, tão pequeninos e indefesos. Achamos que todos abusam de nossa enorme boa vontade e bondade, ultrapassando todos os nossos limites. E quanto mais nos diminuímos, parece que mais os outros ocupam nosso espaço. Isso nos permite compreender o que antes era chamado de complexo de inferioridade e hoje é a baixa auto-estima, o sentir-se incapaz, inferior.

A origem desse complexo é nossa necessidade de nos sentirmos aceitos pelos outros. Assim nos transformamos naquilo que supomos que os outros desejariam que fôssemos. Ou seja, damos ao outro o poder de decidir nossas necessidades e, inconscientemente, renunciamos a nossa capacidade natural de conduzir a própria vida, exatamente por nos considerarmos incapazes.

Infelizmente, muitos pais condicionam seus filhos desde pequenos que nada merecem e, quando crescem, sentem-se inferiorizados, acreditando que merecem apenas o desprezo dos outros, mas no fundo desejam sempre a aceitação destes. Antes de qualquer pessoa desprezá-la, desprezam-se a si próprias. Em conseqüência, se tornam vítimas da fantasia de que não são capazes de nada, nem dar e muito menos receber.

Como o homem esquecido que procura por seus óculos em toda parte e acaba por descobri-lo em cima do nariz, essas pessoas buscam o amor e a aceitação em todas as pessoas, exceto em si mesmas. Procuram afeto tão desesperadamente em todos, que se afastam de quem pode verdadeiramente lhes dar, pois no fundo, não se sentem dignas nem de receber. Ao recusar a própria necessidade de aceitação, colocam-se como vítimas de um mundo hostil.

Quando ansiamos que o outro nos aceite ou cuide dos nossos interesses, mesmo "sem querer", acabamos por permitir que interfiram em nossa vida, nos julgue, critique, nos manipule, confirmando cada vez mais nossa incapacidade. Assim deixamos de agir e fazer algo por nós mesmos, criando uma dependência da aprovação e amor do outro. Na verdade, não é o amor e a aceitação do outro que fará com que nos sintamos mais ou menos inferiorizados e sim a aceitação que temos de nosso próprio "eu".

A fonte para suprir nossas necessidades está em nós e não no outro. As pessoas em geral, por não se conhecerem não se amam e em consequência, não confiam em si mesmas, afinal, só confiamos e amamos aquele que conhecemos. Eu preciso do meu amor 24 horas por dia e você precisa do seu, mas para desenvolver esse amor é preciso antes de mais nada desenvolver o autoconhecimento, ou seja, ter consciência de tudo que é, sente e principalmente, parar de se criticar e se sentir a pior das criaturas.

Às vezes, as pessoas reforçam seu sentimento de inferioridade, propondo-se objetivos inatingíveis, pois não conseguindo alcançá-los, confirmam a crença do quanto são incapazes. Se você não faz nada além de andar para trás, pare até se sentir capaz de dar um passo à frente. Faça uma auto-análise, busque as causas desse seu sentimento, pois a autopiedade não realiza objetivo algum e não te fará andar para frente.

No dia-a-dia, insistimos tanto em seguir as crenças e os modelos ditados pelos outros, que nos tornamos surdos aos nossos próprios desejos e necessidades. Para romper este ciclo, é preciso entrar em contato com suas verdades, lembrando-se do que gostava quando criança, o queria para você, quais eram seus sonhos e quais são agora.

Assim, começará a identificar quem realmente é e o quanto pode tornar-se importante, não para os outros, mas para você mesmo. Quando agimos ou falamos de acordo com nossos valores, sentimos mais respeito por nós mesmos e passamos a exercitar nosso poder de escolha e decisão. Na verdade, quando sentimos que estão ultrapassando nossos limites, é porque nós próprios não os respeitamos. Ninguém pode interferir em seu mundo interior, a menos que você permita.

Enquanto você estiver começando a entrar em contato com seus reais sentimentos, desejos e vontades, agrade-se, gratifique-se, seja com uma palavra de incentivo ou um presente para você mesmo. Reconheça cada conquista, cada degrau alcançado. Faça algo que te deixe feliz. Assumir a responsabilidade sobre sua própria vida é assumir a liberdade que a vida lhe dá e, com certeza, a vida pode oferecer muitos momentos ricos, é só você acreditar. Primeiro em você, porque nesse momento já estará acreditando na vida!

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