Você tem fome de quê?

Você tem fome de quê

Nem bem nascemos e lá estamos nós submetidos a uma verdadeira parafernália de exames e testes dentre os quais, o definitivo teste do reflexo de sucção.

Resultado satisfatório e pronto: nossas chances de adaptação fora do ventre materno estão para lá de garantidas e devidamente asseguradas, sobretudo sob o ponto de vista médico.

Vamos sobreviver, crescer e nos multiplicar. Esse é o princípio básico da vida. Sugar, ingerir, se alimentar. Nessa fase, o mais correto afirmar seria mesmo, ser alimentado. E nesse processo de adaptação à vida, enquanto bebês, sequer sabemos como nos expressar e sabiamente recorremos ao choro.

Qualquer sensação de desconforto é um bom motivo para nos queixarmos. Pode ser frio, medo, dor, solidão, FOME. O importante é sermos atendidos em nossas manifestações.

Estamos confusos, mas também pudera. Naquele mundo onde estávamos habituados viver, estas sensações esquisitas e ruins não existiam. Mas enfim nascemos e é chegada a hora de conhecermos este mundo aqui fora.

E não é que o reconhecemos pela boca! Que o diga a chupeta e o seio de nossa mãe. Não tem jeito, o nosso choro é sempre interpretado como fome. Não há quem não pense desta forma. A mãe, a sogra, a vizinha. Até um simples e até menos conhecido mortal diria: "choro é fome".

E nós que não somos bobos nem nada não recusamos um carinho que seja. Quando nos é oferecido aquele seio enorme e junto a ele aquele colo gostoso, vivenciamos com o maior prazer, todas as sensações agradáveis a que temos direito e a que choramos para ter de volta. É pela boca que experimentamos o primeiro e maior prazer desta vida. Junto ao alimento temos o colo, o aconchego, as carícias. Não poderia ser diferente. Todos aqueles sentimentos estranhos e desconfortáveis desaparecem.

Assim sendo, junto ao colo materno nos sentimos protegidos, acarinhados, amados, rodeados de sensações altamente prazerosas que imediatamente registramos bem aqui, em nossa memória emocional.

À medida que crescemos todas aquelas sensações passam a ser individualmente batizadas. Em alguns momentos as chamamos de saudade, amor, angústia. Em outras situações são elas a mágoa, a depressão, a ansiedade. E tantas outras poderíamos citar.

Quando nos vemos acometidos dessas sensações imediatamente recorremos à nossa memória emocional, afinal um dia sentimos aquelas mesmas coisas e elas acabaram quando fomos alimentados. Acabaram pela boca. E assim sem perceber nos tornamos caçadores implacáveis à procura dos seios de nossas mães.

Assaltamos geladeiras, dispensas, armários da cozinha, forno do fogão, lancheira dos nossos filhos. Estamos à procura do que já foi nosso remédio eficaz. Está lá na nossa memória. O colo, a proteção, o carinho e ele, o seio, o alimento. Esta nossa fome emocional muitas vezes vem disfarçada de fome biológica. Ela pode confundir. É necessário saber distinguir os seus sinais. Lembra? Bastava chorar um pouquinho! Afinal, você tem fome de quê?

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