As belas do rugby

Conheça quem são as meninas que estão se tornando revelação nesse esporte predominantemente masculino
As belas do rugby

Divulgação / foto Rafael Silva

Abram passagem e saiam da frente, porque elas estão com tudo e não tem medo do que estiver pelo caminho - muito pelo contrário. Quanto mais adversários, mais emocionante será a jogada e melhor a conquista. Elas são as jogadoras de rugby! Agora se você acha que elas esqueceram a feminilidade, são truculentas e grossas, vá direto para o chuveiro. Nesse jogo, preconceito é falta grave.

A modalidade esportiva, predominantemente masculina, ganha espaço no Brasil - e no coração de muitas jogadoras. Exemplo disso é a Seleção Brasileira Feminina de Rugby, que recentemente consagrou-se pentacampeã Sul-Americana e agora vai representar o Brasil na Copa do Mundo de Rugby, de 5 a 7 de março. Essa é a primeira vez que o país entra em campo em uma competição desse tipo. A disputa acontecerá em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Para arrecadar fundos para essa e outras viagens, a seleção, as meninas do Rugby posaram pela primeira vez para um calendário pra lá de sensual que está a venda na loja virtual da Seleção. As fotos de Marco Maio mostram que força e feminilidade caminham juntas.

Natasha Olsen tem 31 anos, é atleta da seleção e jogadora da modalidade há mais de uma década, declarou amor à primeira vista pelo esporte. "Nunca nenhum outro esporte tinha me exigido tanto. Fisicamente e psicologicamente você tem que se doar 100%. Eu vou jogar enquanto as pernas aguentarem", diz. Ela conta que já jogou handball, praticou hipismo, natação e até balé, mas foi no rugby que se realizou.

Muito conhecido pelo contato físico intenso, o esporte pode ser visto como violento e que deixa as mulheres masculinizadas, certo? Errado. Ele é sim de extremo contato e os praticantes estão sujeitos a arranhões. Mas isso nada tem a ver com a feminilidade de quem pratica. Natasha conta que mesmo nos torneios e treinos, sempre antes de entrar em campo, todas arrumam os cabelos, passam protetor solar, cada uma com sua rotina de beleza. "Somos apaixonadas pelo nosso esporte, estamos sempre cuidando da saúde, do corpo e isso também faz parte da nossa vaidade".

Beatriz Futuro, a Baby, é companheira de Natasha na Seleção. Tem 22 anos, pratica o rugby desde os 13, e começou por incentivo da irmã, que também está no time nacional. Em 2004, quando pela primeira vez a seleção brasileira feminina de rugby se juntou, para jogar o Sul-americano, na Venezuela, ela foi convocada e continuou treinando. Em 2007, no Chile, foi capitã da seleção pela primeira vez, e continua com posto até hoje. A jovem admite que o esporte que adora é de contato e até agressivo, mas explica que, como em qualquer outro, as lesões são prevenidas pelas regras, pelo treinamento e pelo árbitro.

Baby conta que já sofreu muito preconceito, principalmente por parte dos homens, por acharem que o rugby não é esporte para mulher. "Mas mostramos para eles que não só podemos como devemos! Com muita categoria em campo, mostramos o lado não tão ‘brutamontes’ do rugby e inclusive conquistamos muito mais espaço e títulos que a maioria dos homens que jogam no país", rebate.

Juliana Predolim é jogadora do São Paulo Athletic Club de Rugby, o Spac, e faz parte das "fowards", que teoricamente são as mais fortes. Ela afirma que mesmo sendo um jogo de muito contato físico, se machucou apenas duas vezes e nunca se intimidou ou teve medo de se machucar. Vale lembrar que as regras do rugby são iguais para homens e mulheres, sem que ninguém seja poupado.

Gabriela Bittencourt, 26 anos, também está na Seleção e começou no esporte, assim como Baby, com ajudinha da irmã. "Ela era viciada em handball e preferiu ficar vendo um treino de rugby. Eu, que fui para acompanhá-la, acabei convencida. A partir daquele dia, fizesse chuva ou sol, eu estava lá! Gesso no braço, na perna, olho costurado, nada me fazia perder um treino", lembra. Ela diz que o que despertou o interesse pelo esporte foi que a abertura do esporte para qualquer tipo físico. "Eu, que era uma magrela e alta, sem habilidade para saltar - o que me tirava de campo no vôlei e no basquete - e me senti super à vontade".

Ela já quebrou a perna três vezes, alguns dedos da mão saíram do lugar, já abriu o supercílio e teve algumas tendinites básicas. "Mas tudo isso faz parte da vida de um atleta. São ossos do ofício", brinca.

Assim como Gabriela, Beatriz e Natasha, Ana Carolina Alcântara Lopes, 25, também é estrela da Seleção e adivinha? Começou a jogar estimulada pelo irmão, que já praticava, em Curitiba, no Paraná. Ela tem 25 anos e treina sério desde 2005, no único time feminino do estado. "Sempre fui meio gordinha e tinha muita força, mas a filosofia do esporte me encantou e continua me encantando", diz.

No caso dessas meninas, vaidade e o esporte podem caminhar juntas sim. "Por mais que joguemos um esporte taxado de violento, somos belas mulheres que estão ali para conquistar um objetivo, ir ao mundial e fazer tão bonito quanto as poses e fotos do nosso calendário".

Alguém aceita bater uma bolinha com essas meninas?

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