Conheça a ioga gravitacional

Conheça a ioga gravitacional

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Um dos conceitos diretamente ligado à filosofia da ioga é a busca constante pela evolução. A aplicação dessa teoria pode ser encontrada dentro das diversas modalidades existentes da prática. E uma delas que realmente faz jus ao conceito mostra que é possível desafiar uma lei considerada fisicamente impossível de ser superada: a da gravidade. Prepare-se para alçar grandes vôos com a ioga gravitacional.

O idealizador da tal ioga é o designer e pára-quedista Pedro Goulart de Andrade Filho. Ele criou a técnica com o objetivo de curar as quatro hérnias de disco depois de um acidente ocorrido em um salto de pára-quedas. "Foi um acidente sério. O pára-quedas fechou junto comigo e eu cai em pé. Tive vários machucados e todas as minhas articulações foram lesadas", lembra. Ele diz que dez anos depois do acidente, em 2002, a situação da coluna começou a piorar e os médicos disseram que ele tinha grandes chances de ficar paraplégico caso não fizesse uma delicada cirurgia na coluna.

Pedro não se fez de rogado, preferiu ouvir a intuição e não se submeteu ao procedimento cirúrgico. Mas viu que precisaria encontrar um método para curar o problema aparentemente crônico. Foi aí que ele começou a praticar a ioga e voltou a pular de pára-quedas. E, num salto, percebeu que enquanto flutuava e colocava em prática as respirações profundas da ioga, suas vértebras descomprimiam e a coluna se alinhava. "Vi que quando estava no ar, minha dor aliviava. Foi assim que percebi que precisava desenvolver um método que me proporcionasse a sensação de estar flutuando em terra firme", conta.

Conheça a ioga gravitacional

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Além de pára-quedista e designer, Pedro também é faixa-preta de tae-kwon-do. A partir dessas habilidades e do conhecimento que adquiriu na aula de ioga, foi desenvolvendo a técnica que mais tarde ficaria conhecida como ioga gravitacional. Para alcançar a sensação que sentia quando estava no ar, ele se pendurava em barras no teto e, agarrado a correias de tecido, erguia-se para realizar as posturas. Aos poucos, decidiu aperfeiçoar o método. "O intuito é se pendurar e esquecer que está pendurado. Para isso, desenhei tornozeleiras com gancho para auxiliar no momento de se pendurar na barra", detalha.

O pára-quedista ficou entusiasmado quando viu que a invenção estava dando certo e mais ainda ao notar que seu quadro médico evoluía. Decidiu entrar de cabeça no projeto, não apenas para se curar, mas também para ajudar outras pessoas. A técnica que Pedro então ganhou proporções maiores e chegou ao ouvido do proprietário da YogaFlow, em São Paulo, que abriu uma sala de aula para as aulas de ioga gravitacional.

As aulas duram 1 hora e meia e não começam logo de cara com a ioga gravitacional. "Na primeira parte faço hatha ioga, um dos estilos mais clássicos, e nos últimos 30 minutos aplico gravitacional", diz. Segundo ele, o processo é bastante intenso no começo e os participantes devem simular várias posturas utilizadas na hatha ioga com o corpo suspenso. O instrutor completa dizendo que também não é aconselhável ficar de cabeça para baixo por muito tempo, por isso os 30 minutos são suficientes.

"O objetivo é esquecer-se do corpo, respirar e se entregar à força da gravidade. O ápice da aula é o final, quando todos ficam de cabeça para baixo e acontece a hiper-irrigação e hiper-oxigenação do cérebro", explica. A postura mais importante é a de cabeça para baixo, pois não existe compressão do pescoço.

Mesmo parecendo complicado, no começo, Pedro explica que depois que o aluno se acostuma com as posturas, a prática é totalmente prazerosa. "É uma situação diferente, em que você se entrega a força de atração da Terra, e deixa que a doutora gravidade realinhe e reestruture seu corpo", conta.

A faixa etária dos alunos de Pedro vai dos 7 aos 72 anos e é modalidade é livre. Mesmo assim, antes de iniciar atividade é imprescindível consultar cardiologista, ortopedista e oftalmologista. Os exercícios só podem ser feitos duas horas depois da ingestão de alimentos e mulheres menstruadas não são aconselhadas a fazerem o exercício. É indicado que se pratique a ioga gravitacional duas vezes por semana.


Outra curiosidade é que a modalidade não tem níveis. "É uma sequência lógica que varia de pessoa para pessoa. Visamos à filosofia em si e não existem graduações a serem conquistadas. Isso serve apenas para alimentar o ego", afirma.

Mais do que ter idealizado uma nova modalidade de ioga, Pedro é exemplo de superação. Ele mostra que é possível desafiar não apenas a gravidade, mas os próprios limites.

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