Pedalando com cuidado

Pedalando com cuidado

Os raros automóveis que eram vistos na avenida Paulista no começo do século, hoje infestam a cidade a ponto de congestionar esta mesma avenida em toda sua extensão todos os dias. A vida mudou para uns, mas em muitas cidades do interior, ainda vemos as ruas dominadas por bicicletas, zanzando com crianças indo para escola, adolescentes passeando enquanto os pais se destinam pedalando ao trabalho.

Pensando nestas pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte foi desenvolvido no interior de São Paulo um estudo por integrantes da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé durante o período de um ano. Durante este tempo, deram entrada no Hospital de Taubaté e na Clínica do Dr. Luiz Carlos Ribeiro Lara, membro da diretoria da Sociedade e professor da Faculdade de Medicina de Taubaté, 37 casos de ferimentos causados por acidentes ciclísticos.

O que chamou a atenção foi a baixa idade destes pacientes, que estavam ao redor dos seis anos. Em sua maioria eram conduzidas no banco de trás ou no garfo da bicicleta. "Aqui no Vale do Paraíba, a bicicleta ainda é um importante veículo de locomoção" , comenta o Dr. Lara. Quando começaram a catalogar os acidentes notaram muitas vezes pequenas fraturas que passavam despercebidas, lesões de pele, fraturas de tornozelo e até amputação de dedos do pé (os dedos das crianças são mais delicados e, ficam geralmente descalçados ou de sandálias tornando-se mais vulneráveis). "A bicicleta não é só recreativa, no interior (nas cidades mais planas), ela serve para ir trabalhar, para ir à escola - 30% dos alunos da escola aqui em frente à minha clínica usam bicicleta", completa.

Para resolver este problema, foi sugerido, além do uso de sapatos, uma tela no aro, para evitar machucados. "Falando com algumas fábricas, tivemos informações que esta tela existe e é um opcional da bicicleta, mas na prática isto não é uma rotina, ninguém pede este opcional", conta Dr. Lara. Além disso, capacetes e protetores de joelho e braços como usam os praticantes do bicicross também seriam de grande ajuda.

Mas mesmo quem usa a bicicleta apenas para o lazer deve estar atento para ter proveito e não dor de cabeça. "Como a bicicleta passou a ser muito utilizada para exercícios, percebeu-se que se a pessoa vai ficar lá meia hora, se não estiver numa postura confortável, pode ter um transtorno de coluna. Principalmente nas bicicletas de velocidade que não visam uma postura funcional para a coluna, mas uma aerodinâmica melhor, para oferecer menor resistência ao ar, a pessoa vai quase que deitada.", afirma o Dr. Lara. Um atleta tem a musculatura mais preparada, e agüenta melhor estas puxadas, se você não costuma fazer exercícios não vá direto à sala de spinning ao se matricular na academia, converse antes com o professor. O Dr. Lara também recomenda sempre fazer um alongamento antes de começar a pedalar "o movimento da bicicleta é geralmente num sentido único e repetitivo, o alongamento faz parte do aquecimento para evitar lesões e prevenir problemas musculares.", alerta.


Você sabia, que assim como para quem joga vôlei, basquete e futebol de salão, já existe um calçado específico, próprio para o ciclista? Ele é fixo no pedal da bicicleta, você veste o calçado, lembrando o princípio dos esquiadores. A sola é totalmente dura para facilitar o pedalar, o corredor faz menos esforço. "O sapato, na verdade é o pedal.", diz o Dr. Lara. Este já é um acessório para quem faz o ciclismo profissional, mas veja o que não é a evolução nos sapatos esportivos!

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