Antidoping de olho nos atletas

Antidoping de olho nos atletas

Temido por muitos, o exame antidoping detecta substâncias proibidas no organismo dos atletas.

Consideradas ilícitas e muitas vezes não liberadas pelo Ministério da Saúde, elas têm a capacidade de melhorar o desempenho, colaborar para que o esportista fique à frente de seus adversários. Feito com muita precisão, esse exame pode suspender o atleta por tempo indeterminado ou até mesmo permanente.

"Hoje, este exame pode ser realizado de várias maneiras. A mais comum, usada para a Olimpíada, é feita pela urina. A urina do atleta é dividida em duas partes, A e B. Primeiramente, o teste é feito com uma das amostras. Se der negativo, o atleta não está dopado. Se der positivo, acusando alguma substancia ilícita no corpo, é então analisada a segunda amostra para confirmação", explica Maurício Cavacchini da Silveira, mestre em performance humana.

Ao contrário do que muitos pensam, o resultado do exame não é imediato. A eficiência do teste se dá de acordo com a competência de quem o realiza, a começar pelos coletores. A segurança deve ser máxima, afim de não haver nenhuma sabotagem por parte de terceiros ou até mesmo do próprio atleta. Antes da coleta, o esportista em questão assina uma notificação declarando estar ciente de que será examinado e seu nome só será revelado se o resultado for positivo. Se houver confirmação do doping, o caso é enviado para o tribunal arbitral e aguarda julgamento. Este julgamento pode levar até meses.

"Além do teste realizado pela urina, existe outro meio dificilmente usado: o exame de sangue. Alguns atletas se negam a fazer alegando causas religiosas ou até mesmo medo de contaminação de doenças, como Aids, por exemplo. Hoje em dia, até pelo cabelo já da para identificar a dopagem", conta o especialista.

No caso dos Jogos Olímpicos, o Comitê Antidoping, supervisionado pela WADA (Agência Mundial Antidoping), é responsável por esse controle. Um grupo de médicos realiza os exames nos atletas e comunica o Comitê, caso haja algum caso positivo.

No Brasil, as substâncias consideradas proibidas para a ingestão são os derivados de esteróides anabólicos, como o decanoato de nandrolona (popularmente conhecido como "bomba") e os hormônios masculinos. "Estes produtos são ingeridos quando o atleta está em fase de treinamento e demoram cerca de 18 meses para serem expelidos pela urina. Por isso, alguns atletas ficam suspensos durante um longo tempo das competições", comenta Silveira.

Esse foi o caso vivido recentemente pela nadadora Rebeca Gusmão. Em 24 de julho de 2008, a FINA (Comissão Executiva da Federação Internacional de Natação) suspendeu a atleta de suas atividades por dois anos, impedindo assim que ela competisse em Pequim.

Rebeca já havia sido flagrada pelo exame anteriormente, devido ao alto índice de testosterona em sua urina. Em dezembro de 2007, foi confirmado o doping da atleta durante as competições dos jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O resultado do exame ocasionou a perda das quatro medalhas conquistadas por ela na competição. Como já é a segunda vez que Rebeca é flagrada, ela pode ser suspensa do esporte de acordo com as regras da WADA.

"Não existem níveis seguros para o consumo destas substâncias. Ambas não são aprovadas pelo Ministério da saúde e em muitos casos podem apresentar efeitos colaterais nos atletas", comenta o nutricionista Carlos Algara, especialista em nutrição esportiva. Os estimulantes, como as anfetaminas, também são muito utilizados para aumentar o desempenho. "Algumas substâncias realmente aumentam o desempenho. Outras, os atletas pensam que melhoram e existem algumas que são usadas para mascarar um possível doping positivo, mas não tem nenhuma atividade ergogênica", afirma a toxicologista Regina Lúcia de Moraes Moreau.

Na maioria das vezes, estas substâncias são empregadas como coadjuvantes no aumento da força e da performance. O antidoping também detecta e suspende atletas que fazem uso de alucinógenos, como cocaína e maconha.

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