Aquecimento global pode deixar homens menos férteis

O calor em excesso diminui a produção de espermatozóides. Alguns cientistas acreditam que a fertilização in vitro seja a melhor alternativa no futuro
Aquecimento global pode deixar homens menos férteis

Foto: iStock / lucato

A fertilidade masculina pode depender de diversos fatores como dieta, estilo de vida, hábitos sexuais e exposições ocupacionais. Mas o que quase ninguém sabe, é que o aquecimento global também pode dificultar a escolha de ter um bebê.

Pode parecer bizarro, mas é a pura verdade! Além dos efeitos deletérios sobre a natureza, os animais e a vida na Terra, o aumento de pelo menos um grau na temperatura média do planeta pode dificultar a reprodução humana.

A informação chocante é de Edson Borges Junior, diretor científico do Fertility Medical Group. De acordo com ele, não é à toa que os testículos se encontram fora do corpo, num ambiente normalmente quatro graus abaixo da temperatura média de 36,5°C.

“Os testículos são bastante afetados pelos extremos de temperatura. Por isso, contam com a atuação de um músculo chamado ‘cremaster’, que os suspende e os aproxima do corpo para aquecê-los diante de baixas temperaturas, e os afasta para resfriá-los. Diante de altas temperaturas, há um risco bastante considerável de diminuir ou até mesmo cessar a produção de espermatozoides. Numa análise seminal, além da baixa contagem, é comum encontrar espermatozoides defeituosos e com baixa motilidade – o que tem grande impacto na fertilidade masculina”.

Agora tudo faz sentido não é? Os estudos também mostram que, para cada grau a mais na temperatura dos testículos, a produção de espermatozoides é reduzida em 40%. “Os espermatozoides são células diferentes das outras células encontradas no corpo humano. Normalmente, o homem ejacula mais de 60 milhões de espermatozoides por vez. Mas, devido ao aquecimento global, esse número pode cair pela metade ou menos ainda. Já nos tratamentos de fertilização assistida, conseguimos melhorar a qualidade, aumentando as chances de fertilização e gestação. Por isso, muitos cientistas já vislumbram a fertilização in vitro como um serviço de saúde básico no futuro”.

E as informações não param por aí. O especialista afirma que, em média, são necessários mais de dois meses (65-70 dias) para a contagem de espermatozoides voltar ao normal depois de uma superexposição ao calor - Sim, tudo isso!

Então anote aí, além da elevação da temperatura ambiente, para evitar a baixa da fertilidade no homem é preciso evitar:

  • Sessões de sauna;
  • Banheiras escaldantes;
  • Dirigir por muitas horas sem ar-condicionado;
  • Usar o laptop no colo por longos períodos;
  • Usar roupas íntimas ou os jeans muito grossos.

Outra dica é fazer algumas pausas durante o dia de trabalho para se refrescar.  “(...) Se, por algum motivo, o paciente não consegue driblar essas situações que superaquecem os testículos, o ideal é consultar um urologista. Afinal, algumas doenças – como a varicocele, por exemplo – também podem contribuir para essa elevação de temperatura que compromete a fertilidade”, adverte Borges.

É importante lembrar que problemas relacionados à baixa quantidade e/ou qualidade de espermatozoides representam 90% dos casos de infertilidade masculina. Várias outras razões respondem pelos 10% restantes, incluindo problemas anatômicos, hormonais e genéticos. Na dúvida, procure um profissional.

Por Thamirys Teixeira


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