As verdades sobre a soja

As verdades sobre a soja

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Biologia Veterinária de Dummerstorf, na Alemanha, questiona os benefícios da soja.

O estudo, feito com suínos, mostra que o consumo excessivo dos grãos ricos em proteínas pode danificar as células do corpo. "As pesquisas feitas em animais são apenas uma indicação, não significa que no corpo humano o resultado seria o mesmo", afirma a nutricionista Mariana Del Bosco, representante do departamento de Nutrição da Abeso (Associação Brasileira Para o Estudo da Obesidade).

Desde a descoberta dos seus benefícios, a soja tem sido muito utilizada pelos brasileiros, principalmente aqueles que optam por uma alimentação vegetariana, que não permite o consumo de produtos animais (carne, leite e ovos). O grão contém grande concentração de proteína vegetal muito semelhante à animal, necessária para o bom funcionamento do organismo. Em comparação à proteína animal, a soja possui baixa taxa de gordura saturada, alto teor de fibras e ausência de colesterol. Por esses motivos, é eficaz em dietas de redução de peso.

Além dessa propriedade, a soja, conhecida também como PVT (proteína vegetal texturizada), é funcional. E os alimentos funcionais são sempre bem-vindos, pois têm um efeito adicional à saúde. "Estudos epistemológicos comprovaram que a soja diminui a incidência de problemas cardiovasculares e ajuda a prevenir alguns tipos de câncer, como o de mama e de cólon", afirma Mariana.

A proteína de soja é consumida ainda pela ação que exerce sobre os lipídios séricos e pela capacidade de reduzir os níveis de colesterol total, LDL (colesterol ruim) e triglicérides (fonte de energia do corpo humano). Por isso, o alimento ajuda na diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares.

Outro princípio ativo que atrai adeptos da alimentação à base de soja é a isoflavona, um fitoestrógeno que apresenta estrutura semelhante aos hormônios estrogênicos e possui ação antioxidante. Algumas mulheres acreditam que o consumo de PVT promete aliviar até os sintomas da menopausa. No entanto, segundo a nutricionista Mariana Del Bosco, não existem estudos que comprovem o fato.

Há sete anos, Paula Harumi substitui todas as carnes de animais pela soja em sua dieta. "Parei de comer carne por uma questão de ética. Meu organismo mudou bastante. Passei a me sentir melhor, sem aquela sensação pesada após as refeições", diz.

A jovem, de 26 anos, afirma também que começou a ter mais ânimo, sua pele ficou mais macia e ela começou a prestar mais atenção no que consome. "Apesar dos benefícios, acabei ganhando peso, pois passei a comer mais carboidratos", completa ela, que faz uma bateria de exames regularmente para prevenir problemas de saúde devido à ausência de carne animal em seu cardápio.

Quem não sabe preparar pratos naturais em casa pode encontrar as mais variadas combinações em restaurantes especializados e aprender novas receitas. Um restaurante, localizado na zona sul de São Paulo, recebe cerca de 150 clientes diariamente. De acordo com o proprietário, 80% da clientela são mulheres. "Nossos clientes são fiéis. Alguns deles são pessoas com restrições médicas, principalmente em relação ao consumo de sódio, controle de colesterol ou açúcar industrial. Usamos temperos mais leves, pouca gordura e pouco sal no cozimento dos alimentos. O importante é sempre variar. Grãos como trigo, cevada e broto de feijão dão um sabor a mais para a soja", conta Leandro Ribeiro.

Mas como qualquer outro alimento, a soja precisa ter seu consumo moderado e não deve servir como base total da alimentação, pois é pobre em vitamina B12 (auxiliar no metabolismo, formação do sangue e na manutenção do sistema nervoso). Essa vitamina é encontrada em carnes e alguns derivados de animais, como ovos e leite. Sua ausência no organismo pode causar anemia e alterações neurológicas. Portanto, as pessoas vegetarianas devem ao menos fazer uma suplementação da vitamina em cápsulas ou injetável.

     

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