Caso Mariana Bridi - perigos da infecção urinária

Caso Mariana Bridi  perigos da infecção urinária

Mariana Bridi / divulgação

Segundo a Associação Americana de Urologia, metade da população feminina sofre, pelo menos uma vez na vida, de infecção urinária. A notícia da morte da modelo Mariana Bridi Costa, de 20 anos, devido à evolução brutal de uma infecção desse tipo, chocou o país - e o mundo. O caso foi noticiado internacionalmente, lembrando principalmente a raridade do fato.

Os sintomas, que quase todo mundo conhece, são dores ao urinar, falta de controle da urina, febre, dor lombar e calafrios. Nas adolescentes, a causa principal se deve ao uso de calças muito apertadas ou até a demora de ir ao banheiro. Essa desculpa também é dada pelas adultas e pode esconder o perigo de uma infecção. Médicos indicam que manter a higiene é o primeiro passo para se evitar a doença que Mariana teve.

Na maioria dos casos, a infecção é provocada por uma bactéria facilmente identificada em um exame de urina e tratada com antibióticos. Mas então, o que aconteceu com Mariana?

Tudo depende do tempo do diagnóstico e do início da medicação. Segundo nota emitida pelo hospital Dório Silva, na Serra, Espírito Santo, a modelo já estava em estado grave quando foi internada. Mas o que intriga é que as bactérias identificadas no corpo da modelo (pseudomonas e estafilococos) não são comuns em infecções urinárias. Não se descarta, então, a possibilidade de infecção hospitalar.

No caso de Mariana, a situação ficou ainda mais complicada porque as bactérias entraram na corrente sanguínea, não dando chance para os antibióticos. Antes de morrer, a modelo ainda teve trombose, que levaram à falta de oxigenação nas extremidades do corpo. As mãos e os pés dela tiveram de ser amputados. Os médicos ainda retiraram parte do estomago e dos rins da jovem, que já muito fraca, não resistiu.

O que Mariana teve, em decorrência da infecção, é conhecida como "sepse". Ederlon Rezende, primeiro-secretário da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, explica que a sepse é uma inflamação generalizada que se dá como resposta a uma agressão infecciosa no organismo. "Todos podemos ter infecções como a urinária, pneumonia ou uma simples infecção na garganta, por exemplo, que pode evoluir para sepse. Isso acontece porque o organismo reage para combater essa agressão", explica.

Ederlon ressalta ainda que esse cenário apresenta-se, normalmente, quando o paciente tem alguma alteração no sistema imunológico, que sofre de doenças imunossupressoras ou câncer, ou nos extremos da vida, em crianças com menos de um ano de idade ou idosos. "Porém, excepcionalmente, algumas pessoas, mesmo aos 20 anos, podem também apresentar o quadro por ter predisposição genética, um fator muito importante no surgimento desses casos".

Segundo ele, a apresentação de sepse com distúrbios de coagulação grave é incomum, atingindo de 2% a 5% dos pacientes com choque séptico, mas costuma ser das mais graves. "A mortalidade nessas condições chega a 80%".

Conforme dados do Instituto Latino Americano da Sepse, o choque séptico, conhecido como falência múltipla dos órgãos, é responsável por 25% da ocupação dos leitos no Brasil e é a principal causa de morte nas UTIs. Chega a 65% aqui, número bem maior que a média mundial, de 35%.

Mariana Bridi foi duas vezes finalista do concurso Miss Mundo Brasil. Ela deixa como exemplo a necessidade de atenção aos sinais do corpo. Em casos de sintomas de infecção de qualquer natureza, procure um médico, evite a automedicação e faça todos os exames para que o profissional da saúde decida qual é o melhor antibiótico.

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