Celebridades e medicamentos

Celebridades e medicamentos

Nas propagandas de qualquer produto, uma celebridade sempre chama atenção, vende mais. E não é diferente se o que se vende é roupa ou remédio. Até agora, valia tudo. Mas a "parceria" entre celebridades e remédios mudou um pouco de figura. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a veiculação de propagandas de medicamentos isentos de prescrição médica que fazem uso da imagem ou voz de pessoas públicas sugerindo consumo.

A decisão foi informada em dezembro de 2008 e entrou em vigor na última terça-feira, dia 16 de junho. "A presença de celebridades leigas em propaganda de medicamentos não está proibida, mas elas não poderão recomendar o seu uso, pois isso é um fator de influência no uso de medicamentos por parte da população", explica o coordenador de imprensa da Anvisa, Carlos Augusto Moura. Ele diz que a agência entende que a publicidade de medicamentos deve ser equilibrada, apresentando as vantagens e as contra-indicações do medicamento, em respeito à saúde das pessoas.

Quem não se lembra de Susana Vieira incentivando a venda do vermífugo Licor de Cacau Xavier? Ou da inconfundível voz de José Wilker dizendo ‘tomou Doril, a dor sumiu’? Além deles, o apresentador Carlos Massa (Ratinho) e Pelé também emprestaram imagem e voz à publicidade de medicamentos, como a linha de produtos Salonpas ou as vitaminas Vitasay Stress.

Segundo Carlos, o uso de celebridades é um recurso publicitário. "A presença destas pessoas em um comercial pode induzir o espectador a utilizar um medicamento, ainda que não haja necessidade", afirma. Apesar de a imagem das celebridades não estar proibida, será necessário seguir determinações específicas e o famoso não pode sugerir o medicamento. É ele também que deve dar as mensagens de contra-indicação.

O uso de verbos imperativos como use, tome ou experimente, por exemplo, foi abolido. "As publicidades terão que se adequar para que o consumidor receba uma informação equilibrada. Os medicamentos são produtos que só devem ser utilizados em situações especiais e com correta orientação", diz.

Outro hábito muito comum era o de fazer publicidade de remédio em novelas. Um aconteceu em "Mulheres Apaixonadas", onde atores de meia idade faziam alusão ao "comprimido azul", quando se referiam à ajuda que obtiveram em seu desempenho sexual. Esse tipo de publicidade passou a ser proibida, se não for utilizada de forma declaradamente publicitária em filmes e espaços teatrais.

Além dessas mudanças, as regras para as propagandas de medicamentos que possuem prescrição médica também sofreram algumas alterações. Foram incluídas condições para a veiculação em eventos científicos, campanhas sociais e até para a distribuição de amostras grátis.

"Umas das principais novidades é que os percentuais estabelecidos para as amostras grátis de anticoncepcionais e medicamentos de uso contínuo passam a conter, obrigatoriamente, 100% do conteúdo da apresentação original registrada e comercializada", declara. Ele diz que no caso de antibióticos, a quantidade mínima deverá ser aquela suficiente para o tratamento de um paciente. Para os demais medicamentos sob prescrição, continua a valer o mínimo de 50% do conteúdo original.


As propagandas que não tiverem prescrição deverão ainda conter advertências relativas ao principio ativo.

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